Até o início do século XX, quase na totalidade dos países, o voto era direito exclusivo dos homens. As mulheres, em diversos locais, foram às ruas protestar pela igualdade na legalização do voto. As mobilizações causadas pelas mulheres foram chamadas de movimento sufragista. 

Uma das lutas mais famosas para a conquista do voto feminino aconteceu no Reino Unido. Os primeiros grupos favoráveis iniciaram suas movimentações por volta de 1860, porém não obtiveram resultados expressivos até 1903, quando foi criado o Sindicato Político e Social das Mulheres (WSPU, em inglês), liderado por Emmeline Pankhurst. A partir disso, as lutas passaram a se intensificar. As sufragistas começaram a queimar caixas de correio, janelas de comércios e cortaram cabos telefônicos. Houve ainda uma tentativa de tomar o palácio de Westminter, quando foram reunidas 60.000 pessoas em frente ao local, mas a ação foi impedida pela polícia. A ausência de grandes resultados levou a uma radicalização maior das mobilizações, com a colocação de bombas em alguns locais. O ato mais conhecido é a morte de Emily Davison, que se jogou sobre um cavalo do Rei Jorge V com a intenção de chamar a atenção da Coroa e das pessoas para a causa sufragista. Ela morreu quatro dias depois. Finalmente, depois de muitos anos, as mulheres do Reino Unido obtiveram o direito ao voto em 1918, com a restrição de terem acima de 30 anos. Dez anos depois, o Parlamento aprovou uma lei que permitiu todas as pessoas acima de 21 anos a votar.

Enquanto este cenário acontecia no Reino Unido, alguns países já haviam legalizado o voto feminino. O primeiro país em que as mulheres obtiveram o direito ao voto foi na Nova Zelândia, em 1893. Depois disso, Austrália (1902), Finlândia (1906), Noruega (1907), Islândia (1915), Dinamarca (1915), Canadá (1917), Rússia (1917), Armênia (1917) e Estônia (1917) legalizaram as mulheres a votar.

Zimbábue e Quênia foram os primeiros países africanos a permitir que as mulheres votassem, em 1919. Na América do Sul, o primeiro país foi o Equador, em 1929. 

O último país a conceder o voto feminino foi a Arábia Saudita, em 2011, com a primeira eleição ocorrendo em 2015. 

O voto feminino no Brasil

No Brasil, o direito ao voto foi obtido em 1932. Nesta época, o direito era concedido apenas a mulheres casadas, com autorização dos maridos, e para viúvas com renda própria. Isso durou até 1934, quando ele foi incorporado à Constituição como facultativo. Somente em 1965 o Código Eleitoral equiparou o voto feminino ao dos homens. 

As primeiras discussões sobre o voto feminino são de 1891, quando foi apresentada proposta de emenda à Constituição brasileira com essa prerrogativa, contudo, ela foi rejeitada. 

 Bertha Lutz, cientista e política brasileira que abriu caminho para outras conquistas (FOTO: ARQUIVO ONU)

A bióloga Bertha Luz voltou dos estudos em Paris em 1919 e trouxe os ideais sufragistas para o Brasil. Ela aliou-se à Maria Lacerda de Moura, e fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, que, em 1922, passou a se chamar Federação pelo Progresso Feminino. Bertha foi responsável pela indicação de Alzira Soriano para comandar a cidade de Lajes (RN). Alzira foi eleita com 60% dos votos e se tornou a primeira prefeita do país. Ela promoveu a construção de estradas, mercados públicos municipais e a melhoria da iluminação pública. Em 1930, por não concordar com o governo de Getúlio Vargas, perdeu o mandato. Bertha assumiu o mandato de deputada na Câmara Federal em julho de 1936, em decorrência da morte do titular. Ela teve a atuação parlamentar marcada por propostas de mudança na legislação referente ao trabalho da mulher e do menor.

A primeira eleitora brasileira foi a professora Celina Guimarães, no Rio Grande do Norte, em 1928. Celina requereu sua inclusão no rol de eleitores do município de Mossoró após a entrada em vigor da Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de 1927, que tornava o Rio Grande do Norte o primeiro estado a estabelecer a não distinção de sexo para o exercício do voto. O ato de Celina repercutiu mundialmente, já que foi a primeira eleitora do Brasil e da América Latina.

por Jorge Marcon