Cenas dos leitos semi intensivos do hospital Platão Araujo sob responsabilidade do Governo de Manaus. Foto Jonne Roriz/Veja

No dia 26 de março de 2020, o Brasil iniciou um dos períodos mais tristes e nebulosos de toda a sua história, pois nesta data foi registrado o primeiro caso de Covid-19 no país. Passado mais de um ano desse fato, o que se vê é uma nação arrasada pela maior pandemia da história, chegando recentemente à médias de mais de 4000 mortes diárias por conta desta doença. Nesse tempo, novos heróis foram surgindo, tais como os profissionais da saúde, que diariamente se sacrificam e se expõem ao vírus, ficam afastados de suas famílias e amigos, para salvar a vida de desconhecidos que chegam aos montes.

Esse é o caso de Ana Paula de Mello Morais, 39 anos, técnica de enfermagem, e de Mariana Copetti Goi, 29 anos, médica residente em Ginecologia e Obstetrícia. As duas profissionais da saúde vêm vivendo diariamente frente a frente ao coronavírus em seus trabalhos desde o ano passado, no Hospital São Vicente de Paulo, um dos maiores hospitais do norte do Rio Grande do Sul. 

Ana Paula de Mello Morais, 39, no centro da imagem à esquerda, com sua equipe de enfermagem; a doutora Mariana Copetti Goi, 29, à direita.

As duas se disponibilizaram a falar sobre a pandemia no HSVP, comparando o período inicial do vírus no ano passado ao atual.

Quais são as maiores diferenças de protocolo e tratamento do início da pandemia para o momento atual, qual a maior diferença na forma de tratar um paciente?

Ana: As diferenças de protocolo é que no início, os pacientes que eram confirmados com o vírus ficavam internados 14 dias, mas agora ficam só sete no máximo. Na questão do tratamento no início da pandemia até agora, continua igual, sendo que atualmente para tratar um paciente, temos que tomar mais cuidado com a nossa segurança, como profissionais da saúde, pois cada vez mais estamos sendo contaminados.

Mariana:

Revista ComArte · 1 Dra. Mariana Goi

Como você percebe a mentalidade da população e dos pacientes nesse período com o coronavírus?

A: A mentalidade da população infelizmente está horrível, pois eles não percebem que o momento é muito delicado, onde as pessoas estão morrendo na porta de casa. Isso só vai parar se houver algum tipo de advertência pesada para que o povo fique em casa. Vários pacientes que chegam ao hospital comentam que achavam que a doença não era tão séria e que se arrependem de não terem tido mais cuidado. Acredito que aos poucos isso está mudando.

M:

Revista ComArte · 2 Dra. Mariana Goi

Como está a atmosfera, o ambiente, entre os profissionais da linha de frente? Conversando com os colegas, como vocês estavam e estão lidando com a pandemia?

A: A atmosfera entre nós, profissionais, está muito difícil. Agora estamos mais calmos com essa pandemia, mas vários colegas estão afastados ou estão recebendo ajuda psicológica porque não aguentam lidar com tanta tristeza e sofrimento causados pelas mortes. Hoje já estou conseguindo lidar melhor com isso, mas não é fácil, tem que ter muita fé e esperança para que tudo passe logo.

M:

Revista ComArte · 3 Dra. Mariana Goi

Na questão da infraestrutura do hospital, ela esteve adequada nesse período? Mudanças positivas aconteceram?

A: A infraestrutura do hospital no começo deixava a desejar, pois não oferecia nem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários para a gente trabalhar, agora graças a Deus melhorou muito, temos todos os materiais necessários para estar protegido.

M:

Revista ComArte · 4 Dra. Mariana Goi

Você sente que o profissional da saúde está mais valorizado após todo esse tempo de pandemia?

A: Os profissionais da saúde com certeza não são valorizados, infelizmente ainda mais agora nessa época de pandemia, nosso salário está atrasado, nossas folgas foram canceladas, nossas férias estão suspensas, e somos poucos para atender os pacientes.

M:

Revista ComArte · 5 Dra. Mariana Goi

Por Alexandre Pessoa da Silva e Pedro Mignoni Mate