Manter uma alimentação saudável e uma rotina de exercícios, é fundamental para melhorar a saúde e prevenir doenças. Mas os pacientes diabéticos têm um motivo a mais para manter esse equilíbrio. O diabetes é uma doença silenciosa. No Brasil cerca de 17 milhões de pessoas convivem com a doença, os dados são da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).  O tipo um está relacionado com o mal funcionamento do pâncreas, órgão responsável pela produção da insulina, exigindo o uso obrigatório das canetas ou bomba de insulina. Essa doença influencia todo o metabolismo e os níveis de glicose (açúcar no sangue). Já o tipo dois, o pâncreas ainda produz insulina, mas não a quantidade suficiente. Podendo ser controlado com atividade física e planejamento alimentar, em alguns casos sem precisar fazer o uso da insulina.

Portador de diabetes Erikson, acredita que a aceitação da doença é primordial no tratamento
Crédito: Arquivo pessoal

Medir a glicose, contar carboidratos, ter uma alimentação equilibrada e fazer o uso da insulina.  Essa é a rotina diária de Erikson Pereira, que precisou adaptar a sua vida para conviver com a diabetes.“Fui diagnosticado aos 15 anos. Meus sintomas foram sede em excesso, aumento na frequência urinária, e comecei a comer muito doce. Fiz alguns exames de rotina, e minha glicemia deu quase 350 em jejum. O primeiro desafio foi rejeitar a doença. Tive cetoacidose diabética (números muito elevados de glicose). Fiquei sete dias na UTI. Após sair do hospital resolvi aceitar meu tratamento, e hoje faço o uso da bomba de insulina, e contagem de carboidratos”, conta Erikson.

Contagem de carboidratos 

Considerado essencial na vida de um diabético. A contagem de carboidratos auxilia em todo processo de alimentação, servindo como um guia de estratégia nutricional. Esse carboidrato quando ingerido é quebrado em glicose. Essa glicose quando entra na corrente sanguínea é chamada de açúcar no sangue.

Nutricionista e diabética. Gabriele é a amiga fiel dos portadores
Crédito: Arquivo pessoal

Essa contagem também faz parte da vida da nutricionista e diabética tipo um, Gabriele Botesini. Ela descobriu a diabetes aos oito anos de idade, na época o acesso a informação a tratamentos era muito diferente. “Hoje eu tenho 26 anos, eu lembro que na época me falavam que eu não poderia consumir doces. Mas eu só comia um arroz por exemplo, e a glicemia já subia, ficavamos em dúvida. Hoje eu já não sou mais a Gabi pessoa normal, eu sou a Gabi diabética, tanto o uso da bombinha, medição de glicemia, uso de sensor e contagem de carboidratos. Isso não é mais um peso para mim”, afirma Gabriele.  

A contagem de carboidratos (confira infográfico no final da página) é fundamental para qualquer tratamento de diabetes. Segundo a nutricionista, a contagem pode ser separada em duas modalidades, sendo a que envolve o uso da insulina e a contagem é feita através das gramas de carboidratos. E a segunda que não utiliza insulina, indicada para diabéticos tipo dois ou pré-diabetes. “ No primeiro tipo, o endocrinologista nos passa alguns parâmetros necessários, assim vamos utilizar uma quantidade X de insulina para cobrir tudo o que o paciente vai estar consumindo naquela refeição. A segunda é feito uma contagem máxima de carboidratos consumidos no dia”, conclui. 

Essa contagem de carboidratos é essencial para um bom controle da glicemia. Quando as informações nutricionais não estiverem no rótulo dos alimentos, a SBD indica a consulta no manual de contagem de carboidratos. 

Cuidar da alimentação é um dos principais passos para ter o bom controle da diabetes. Na maioria das vezes o diagnóstico já vem acompanhado com as recomendações sobre as medicações e cuidados básicos que devem ser tomados durante o tratamento. E foi assim que o estudante de farmácia, Erikson, fez. “Hoje eu me alimento  de forma mais variada, graças ao uso da bomba. Faço contagem de carboidratos e dou prioridade aos alimentos integrais e ricos em fibras e proteínas”, comenta.  

E é aí que o profissional nutricionista, um dos heróis dessa batalha, entra em ação. Após uma longa caminhada de altos e baixos com a diabetes, o jovem Erikson deparou-se com a Gabi, uma profissional que além de ajudá-lo iria o entender como ninguém. Tinham algo em comum, a diabetes. “Além dela ser minha nutri, ela também se tornou uma amiga”, conclui Erikson. 

Uma alimentação saudável, balanceada e fracionada faz parte da vida de um diabético. A presença de nutrientes como carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fibras são fundamentais para garantir a boa saúde do portador dessa doença. “Para obtermos bons níveis de glicose sanguínea, a gente tem que estar ciente que é um tripé no tratamento. Fazer o monitoramento da glicemia, e junto com isso utilizar doses adequadas de insulina, que vão ser combinadas com o médico. É bom lembrar que fora esse tripé de tratamento, vem também a atividade física para nos ajudar no mantimento da glicose em níveis adequados”, conclui a nutricionista.

Atividades físicas 

As atividades físicas atualmente são deixadas de lado em virtude da “vida moderna”. Mas para quem é portador de diabetes, estar sempre praticando exercícios físicos pode ser um ponto positivo no tratamento da doença. Além do controle rigoroso da glicemia com alimentação equilibrada e insulina, deve também fazer parte do dia a dia a prática de alguma atividade física. “Antes da pandemia eu fazia aulas de dança três vezes na semana. Agora caminho cerca de 40 minutos por dia. É de extrema importância a prática de atividades físicas para o controle da DM”, explica Erikson.  

Por Andressa Thomaz e Caendy Carvalho