Depois de mais de 1 ano em isolamento social, vivendo de aulas remotas, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul divulgou no último mês de abril o calendário de volta às aulas na forma presencial da rede pública estadual.

Em fevereiro deste ano, quando a volta às aulas presenciais na rede estadual de ensino estava prevista para acontecer em março, o governador do RS, Eduardo Leite, afirmou em entrevista que essa volta aconteceria somente se o Estado estivesse fora da bandeira preta no Mapa do Distanciamento Controlado. Segundo a Secretaria da Educação, as aulas irão retornar no modelo híbrido, os estudantes terão as aulas presenciais nas escolas e também realizarão atividades remotamente. Como prevê o calendário, esse retorno será gradual e escalonado, assim permitindo com que não haja aglomeração nas salas de aula. 

Conforme decreto publicado em abril, as escolas devem obedecer o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre as classes dos alunos, os materiais devem ser individuais e não são permitidas atividades coletivas com contato físico. As escolas irão receber o máximo de 35% dos alunos, em sistema de rodízio, com prioridade para alunos de famílias que são mais vulneráveis. As atividades no modo online permanecem para os alunos que escolherem por não voltar à aula presencial, e os professores que pertencem ao grupo de risco permanecerão em casa e serão substituídos por professores temporários.

E na prática, como os professores estão se adaptando às necessidades dos alunos?

Viviana Almi (50), professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Bento Gonçalves, de Constantina, conta sua rotina com a preparação das aulas. “Todos os meus alunos têm acesso à internet e eles têm Whatsapp, então, além das atividades impressas que enviamos a cada início de mês, todos os dias a gente manda as atividades por lá e fica disponível para tirar dúvidas e acompanhar”.

Localizada no interior da cidade de Constantina, a escola Bento Gonçalves se mantém aberta aos professores que desejam utilizar sua estrutura para o planejamento das aulas

Apesar de que em alguns casos professores reclamam da falta de retorno dos alunos quanto às atividades, Viviana conta que consegue quase toda a participação da sua turma e que geralmente é no período da noite, quando os pais conseguem se envolver de perto com os temas de casa dos filhos.

Vacinada e ansiosa para que as aulas retornem de forma presencial no município, a professora menciona estar frustrada por não acompanhar seus alunos de perto. “Na semana que tivermos aulas normais foi diferente, você sente e vê a criança aprendendo […] à distância tudo parece muito frio, mas fico feliz por eles estarem presentes semanalmente, mesmo no virtual”.

Prioridade na vacinação de professores

De acordo com Leite, ainda em fevereiro, foi solicitado ao Ministério da Saúde que professores e funcionários de escolas sejam vacinados, principalmente os que têm idade acima de 60 anos e os que têm comorbidades.

Porém, só em maio os profissionais da educação começaram a ser vacinados, já que alguns municípios já estão conseguindo vacinar professores de forma concomitante aos grupos prioritários.

Até agora, no estado, mais de 3 milhões de pessoas já foram vacinadas com a primeira dose. Uma delas foi a professora de educação infantil Brenda Gamboa. Para Brenda, receber a vacina se tornou um ato de resistência. “Primeiramente, ser professor no século em que estamos já é um grande desafio, mas ser professor de educação infantil em uma pandemia torna o desafio mil vezes maior”.

A professora conta que passou meses se inventando e reinventando em frente às telas e que via seus alunos chorarem pedindo por ajuda durante as aulas à distância.

“Durante a pandemia, nós, professores, nunca paramos de trabalhar. Quando retornamos às aulas presenciais e tivemos a notícia de que seríamos vacinados, a esperança renasceu”

Brenda complementa falando de sua expectativa para o futuro. “Minha maior expectativa é segurança. Segurança para continuar transformando vidas, porque a geração que está vindo, está vindo forte. Forte por ter professores tão resistentes que não têm medo de pôr a cara a tapa para lutar”, e termina parafraseando o mestre da educação, Paulo Freire. “Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente”.

Por Raquel Favretto e Talita Trombetta