Fim de dia, após uma longa jornada de trabalho, estressante e massiva, você chega em casa e tira as amarras dos sapatos. Toma um banho quente e relaxante, faz um bom jantar e aproveita a noite. Como? Com um filme.

Esse hipotético cenário é vivido diariamente com um produto cultural sendo o seu melhor amigo após um dia longo, seja ele um livro, filme ou jogo.

Com isso, não é difícil se apegar a alguma franquia de renome ou que é muito famosa mundialmente, seja o motivo que a fez chegar nesse patamar.

Esse é o caso de Juliana, fã de Senhor dos Anéis e da obra de J.R.R. Tolkien. O livro, escrito entre 1937 e 1949, publicado em 1954, ou o filme, muito mais recente, com o primeiro capítulo da saga em 2002, mudou o mundo da cultura pop e fez uma legião de fãs por mundo a fora.

Juliana conta que conheceu o livro apenas ano passado, em maio, no começo da pandemia da Covid-19. “Eu já tinha ouvido falar do livro, já tinha um certo interesse em conhecer melhor a história por que é bem famosa. O Tolkien eu já conhecia, até por que já havia lido algumas obras dele.”

O primeiro filme da saga, de 2002,  venceu em todas as onze categorias a que foi indicado, incluindo melhor filme do Oscar de 2003

A trama da saga parte da história de um hobbit em uma terra fantástica e única, que recebe de presente de seu tio um anel mágico e maligno que precisa ser destruído antes que caia nas mãos do mal. Para isso, o hobbit Frodo tem um caminho árduo pela frente, onde encontra perigo, medo e seres bizarros. Ao seu lado para o cumprimento desta jornada, ele aos poucos pode contar com outros hobbits, um elfo, um anão, dois humanos e um mago, totalizando nove seres que formam a Sociedade do Anel.

E é justamente esse mundo novo (e muito complexo) que fez apaixonar a estudante Juliana Loureiro e outras dezenas de milhares de pessoas. “O que eu mais gostei e me fez amar a obra foi a complexidade do como foi criada a história. Outra coisa que me fez mais eu me apaixonar pela história foi a criação de diferentes idiomas e pela maneira como estes foram colocados e ordenados na história”, conta a leitora assídua do universo de Tolkien.

Mais um fator que é posto em conversas nas redes sociais e mais antigamente, nos clássicos fóruns de debates dos anos 2000 e começo da década passada, é a maneira que o escritor da obra original usa.

Sabe o jeito que George R. R. Martin usa nas Crônicas de Gelo e Fogo, obra que inspirou Game of Thrones, que descreve tudo minuciosamente? Seja de uma maçã, vermelha como o sangue que corre nas veias de um ser humano e doce como o mais belo mel da espécie de abelhas mais raras do mundo, ou o cabelo dourado como a cor de uma juba de leão, foi inspirado no Tolkien. A diferença é que em Senhor dos Anéis leva isso a outro nível.

No fim, toda essa complexidade é o que faz o universo de Senhor dos Anéis ser o que é para Juliana. “Uma das coisas que eu amo demais nas obras do Tolkien é que ele descreve muito bem as coisas… ele fez poesia e música que se encaixam na história.”.

Umas das partes que a obra exemplifica isso para Juliana é uma em que as personagens estão andando por um lugar muito antigo e uma pessoa está explicando sobre o lugar e começa a cantar uma música. “É tão bonito, sabe, tem tanta beleza em tudo, o cara descreve o orvalho nas folhas e eu acho muito incrível!”

E essa opinião de Juliana serve tanto ao filme, quanto ao livro. “Eu acho que tanto o livro quanto o filme, ambos têm algo peculiar e especial. Obviamente que o filme não poderia ser igual ao livro e eu ainda estou lendo os livros. Mas eu acho que os filmes foram bem fiéis. Eu gosto dos dois, não posso bater o martelo ainda”.

O que eu mais gostei e me fez amar a obra foi a complexidade do como foi criada a história. Uma das coisas que eu amo demais nas obras do Tolkien é que ele descreve muito bem as coisas.

Juliana Loureiro

Como uma última mensagem, que resume o sentimento de Juliana com a obra é que um universo criado por Tolkien, é que “este livro é muito rico… você pode falar da botânica, dos idiomas que ele criou, é mágico!”.

Por Pedro Bregolin e Ricardo Biondo.