Mergulhar no mundo da leitura, é como viajar sem tirar os pés do chão. É se permitir conhecer novos lugares e viver histórias inesquecíveis. Quando crianças entramos no mundo dos contos de fadas, dos super-heróis, dos príncipes e das princesas. Aprendemos desde pequenos a entrar na vida dos personagens, a se apaixonar pelos desenhos, cores, narrativas e principalmente pelas histórias em quadrinhos. O despertar pela leitura inspira muitas crianças, jovens, adultos e idosos a se apaixonar por esse universo. 

E foi assim que a jornalista Amanda Nascimento, viu o amor pelos livros. Desde pequena iniciou a prática da leitura em gibis e quadrinhos. Aos 12 anos de idade começou a leitura em livros físicos, e não parou mais. “Na minha estante eu tenho uns 150 livros mais ou menos. E durante toda a minha vida já li mais de 200 livros. Eu não tenho uma meta fixa, para mim a leitura sempre foi algo natural e simples, se eu começar a me cobrar demais para ler, acabo perdendo o prazer pela leitura. Por exemplo, neste ano já li 12 livros, mas pretendo ler mais”, conta Amanda.  

Apaixonada por livros, Amanda lê normalmente um livro em dois dias 
Crédito: Arquivo pessoal 

Adaptações na leitura 

Mas esse prazer pela leitura aumentou ainda mais. Tendo que se reinventar já há um ano, brasileiros encaram desafios que a pandemia da covid-19 impôs. Sair para curtir aquela balada noturna, ou então se reunir para tomar aquele tereré, foram planos que tiveram que ser deixados de lado. O plano do momento é, #fiqueemcasa. Com restrições rígidas, a grande parte do comércio ficou fechado, e assim aquele que era amante de uma livraria, teve que mudar suas estratégias de compra. De físicas, elas passaram a ser online, explodindo assim os canais de venda. 

É o que apontam os dados apresentados pelo Sindicato Nacional dos Editores (Snel). Em um comparativo de vendas de livros entre os anos de 2020 e o de 2021, as vendas alcançaram um acréscimo de 28,39%, chegando a média de 690 milhões de reais este ano. Esse aumento expressivo no número de vendas é decorrente ao maior investimento em canais de vendas online, já que no ano passado neste mesmo período as livrarias estavam fechadas por serem consideradas trabalho não essencial. 

 Já dá para perceber que a pandemia não afetou negativamente todas as coisas. Você pode estar no aconchego do seu lar, degustando aquele clássico café, e curtindo aquela leitura digital, isso mesmo, basta um smartphone e pronto, a mágica está feita. A vastidão de títulos disponíveis é a principal justificativa dos defensores da digitalização da leitura. 

Mas já teve quem discordou, – ou discorda dessa ideia. Ler um livro físico é uma experiência completamente diferente da leitura de um livro digital, por exemplo. Giulianno Olivar, leitor assíduo, e jornalista, afirma que seu gosto pelos livros físicos sempre ganharam a disputa entre as duas formas de leitura.

A prática da leitura sempre foi muito presente na vida do jornalista
Crédito: Arquivo pessoal

“Já fui radicalmente contra os e-books, achava artificial demais, sem aquele charme do livro físico e todo o ritual que envolve a ida à livraria, a escolha demorada, o cheiro de livro novo… Mas há mais ou menos dois anos, após conhecer melhor, aderi ao e-book por praticidade, pela possibilidade de poder carregar por aí sem me preocupar se o livro ficaria todo amassado na mochila, e também por poder carregar milhares de livros em um pequeno objeto”, conclui o jornalista que adquiriu aproximadamente 30 livros em ambos formatos, entre o ano de 2020 e 2021. 

Pois bem, mas mesmo com essa comodidade que a leitura digital proporciona, está enganado quem pensa que não é necessário que o leitor crie uma organização, e assim consequentemente um hábito. Com a pandemia, problemas como ansiedade, e até mesmo falta de motivação por obstáculos do dia-a-dia, fazem com que a ideia de começar uma leitura, vá ralo abaixo, como nos relatou a profissional jornalista, Isadora Gerevini.

Interesse por livros que tenham alguma mensagem e que abordam assuntos que gosta de estudar, ganham o coração de Isadora
Crédito: Arquivo pessoal

“Em muitos momentos me vi um pouco sem motivação para continuar lendo, mas quando consegui delimitar horários e dias que tinha mais tempo livre, consegui dar uma olhada em todos os livros que tinha baixado no computador e Kindle e reorganizar a leitura”. Isabela relatou que gosta sempre de estar lendo algo, que a rotina muitas vezes interfere. Ainda afirma que por já ter vários livros baixados na forma digital, não adquiriu nenhum livro físico.

O incentivo que gera prazer

E não pense que o incentivo dos pais e também professores não é essencial para manter esse hábito. Até mesmo as bibliotecas municipais são grandes influenciadoras. “Nunca deixei de frequentar bibliotecas, acho um ambiente fascinante, inclusive pelo cheiro dos livros velhos, por saber que tantas pessoas já passaram por essa mesma experiência, com aquele mesmo livro e que agora era minha vez de descobri-lo”, afirma Giu.

Já para a Isa, a leitura ganhou espaço na sua vida ainda quando pequena, lá no fundamental, e que a partir daí, a paixão pela leitura só cresceu, igual a coleção de livros na sua estante. “No ensino fundamental tive a chance de ler o livro “Coração de Tinta”, e eu gostei tanto dele que estava sempre buscando por outros que tivessem histórias similares e continuo até hoje. Além disso, minha mãe sempre gostou de ler e, apesar de não ter tanto tempo livre, quando podia sempre lia algo e acho que foi uma motivação para mim. 

 Para os 3 jornalistas, o amor pela leitura iniciou com livros infantis, gibis e histórias em quadrinhos
Crédito: Caendy Carvalho  

Seja de romance, ficção, terror, suspense ou fantasia, os livros ganham espaço e aquecem o coração dos amantes da leitura. Segundo o Painel do Varejo e Livros, no Brasil uma pesquisa feita pela Nielsen e divulgada pelo SNEL o interesse pela leitura tem aumentado durante a pandemia, o que apresenta o número crescente de vendas no Brasil. Com a pandemia e o isolamento social, o consumidor busca nos livros uma opção de entretenimento. E principalmente nos livros de ficção. As vendas desse gênero cresceram 34,5% em valor e 41% em volume, ou seja mais de 600 mil exemplares em relação a 2020. Já os livros educacionais tiveram uma diminuição de vendas, como mostra o quadro abaixo. 

Dados apresentados pelo Painel do Varejo de Livros no Brasil em 2021.

Amante dos livros de ficção e suspense, a Amanda apesar de também amar os livros físicos, se adaptou a tecnologia dos livros digitais. “O kindle acabou me trazendo uma experiência muito boa, é prático de carregar e você consegue adquirir livros por um bom preço, o e-book se tornou uma ferramenta muito mais fácil de colocar a leitura em dia. Ultimamente eu acabo comprando livros físicos somente edições especiais, ou livros que eu quero muito ter na estante”, conclui Amanda. 

Quando juntamos histórias com leituras, tudo se interliga. Pessoas diferentes, mas que dividem a mesma profissão, e claro, o mesmo prazer; – o gosto incessável pela leitura. Se você não acredita em coincidências, agora o conselho é acreditar. A leitura não apenas cria histórias. Ela também cria gente livre. 

Por Andressa Thomaz e Caendy Carvalho