Com a pandemia, passamos mais tempo trancados em casa do que andando pela rua, isso já é fato. Abrir um livro, folhear as páginas, ler palavra por palavra, é se conectar às novas realidades, o que hoje em dia é libertador. De repente o livro tornou-se um instrumento de escape para muitos que o reencontraram na estante nesses tempos de isolamento social. Se esse momento não está sendo fácil nem para os adultos, quem dirá para os mais pequenos.

Conforme a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, com dados recolhidos em 2018 e divulgados no final de 2020, os índices de leitura aumentaram entre os mais pequenos. Isso demonstra a importância de estimular esse tipo de atividade para os futuros leitores.

Para as crianças, a literatura infantil sopra como um alívio. Segundo a escritora e contadora de histórias, Luciana Marinho Albrecht, o público infantil é o mais generoso e exigente. “O básico é conhecer bem a história que se quer contar. Sendo possível se preparar através de técnicas, cursos e formações de contação de histórias’’, destaca.

A contadora de histórias Luciana Marinho destaca que o publico infantil é o mais generoso e exigente

A escritora dá algumas dicas de como alcançar as crianças nesse momento de dificuldades. “Existem diversas plataformas e redes sociais disponíveis atualmente, que facilitam a interação público e autor/contador de histórias. É preciso ver qual delas o mediador se sente mais à vontade para explorar e em qual delas seu público está”, salienta.

Para Luciana, uma parceria com as bibliotecas da cidade, cursos de letras e outros ambientes voltados à prática leitora e os programas que estas desenvolvem também podem dar uma direção.

A fim de solucionar uma parte desse problema, a Sociedade de Poetas Vivos (SPV) centrada em Passo Fundo, foi fundada com o objetivo de incentivar a qualificação da escrita local, através do estudo das técnicas de escrita criativa, e ajudar na divulgação da literatura local.

No início de 2021, concorreu ao edital Ações Culturais das Comunidades, promovido pela Central Única das Favelas (CUFA), com recursos da Lei Aldir Blanc. Ao ser premiada recebeu um recurso de R$ 5 mil reais. 

O Professor e escritor, Aleixo da Rosa, conta que os integrantes do grupo que Luciana também faz parte, optaram por reinvestir o valor do prêmio em atividades culturais. Segundo Luciana, a perspectiva inicial era “devolver” de alguma forma para a comunidade o prêmio recebido através do edital e divulgar a literatura produzida por autores e autoras de Passo Fundo.

O escritor Aleixo da Rosa relata que optaram por investir o prêmio de R$ 5 mil em atividades culturais

“Como um dos critérios para poder participar era que o representante da SPV responsável pela inscrição morasse em um dos bairros atendidos pelo programa RS Seguro, ficou decidido que essas ações iriam ocorrer no bairro São Luiz Gonzaga”, explica Aleixo sobre o destino do recurso recebido pela SPV.

 Assim, o lugar escolhido para realizar esse investimento foi a Escola Municipal Ensino Fundamental São Luiz Gonzaga, localizada na rua Buenos Aires, o educandário atende quase 700 alunos da região.

Aleixo enfatiza que a escola foi eleita como parceira social, sendo a beneficiária das doações, entre elas, mais de 90 livros destinados aos alunos e mimos para estudantes e professores. “Além disso, as atividades da Feira, como contação de histórias, oficinas de escrita, formações e afins, foram em sua grande maioria, pensadas para atender a professores e alunos’’, lembra o representante da Setorial de Literatura de Passo Fundo.

 As atividades da 1ª Feira Literária SPV – Juntos Teceremos o Amanhã iniciam no dia 14 de junho, às 9h 30min e se enceram na sexta-feira. No entanto, a abertura oficial do evento ocorrerá 19h e às 19h30 será feito o lançamento do livro “O Monstro e a Flor”. O evento online pode ser acompanhado por toda a comunidade escolar e interessados na página Sociedade dos Poetas Vivos – SPV no Facebook.

Para Luciana, a importância da leitura infantil e o acesso aos livros é algo que deve surgir de forma natural. No entanto, sabe-se que no Brasil nem todos têm livre acesso à cultura e à educação. Nesses casos, é essencial a figura do mediador de leitura, que podem ser professores, contadores de histórias ou até mesmo um adulto com quem a criança estabeleça um bom vínculo. 

“É provado, de forma científica inclusive, que o contato com a literatura desde a primeira infância traz inúmeros benefícios à criança e a sua formação para a vida”, conclui a escritora.

Por Letícia Schneider e Sabrina Tagliari