Ritmo. Movimento do corpo. Sintonia. A dança tem o poder de ajudar a expressar sentimentos, desejos e sonhos. É uma forma de movimento que envolve muito mais que só os músculos, mas também a parte mental. Durante a pandemia da Covid-19, os espaços de dança precisaram se reinventar e passar por grandes mudanças para continuar suas atividades.  Alunos, professores e estúdios de dança, todos em busca de entender o novo normal.

O encanto da dança

Desde cedo Veronica Franceschi observava na filha Laura, um talento natural para dança. Buscando incentivar e apoiar a vontade da filha, Veronica decidiu matricular Laura há 2 anos e meio nos cursos de Ballet e Jazz do Estúdio de Dança Jorge Rios. “São modalidades que envolvem muito o desenvolvimento, a musculatura, a flexibilidade, a consciência corporal, a criatividade, além de muitas outras descobertas importantes para ela.” Laura encontrou na dança companheiras e amigas, que hoje são consideradas da família.

Mas com a chegada da pandemia, a distância foi necessária e as aulas, antes presenciais passaram a ser remotas. No início das aulas online Laura se sentia desmotivada e trsie com a situação. Mas foi o papel da família incentivar a criança que logo a situação melhoraria e que precisavam enfrentar o momento complicado. “A Prô Soyla e o Prô Jorge conversavam muito com as alunas, para que elas não se desmotivassem, demonstrando a importância de estarmos unidos naquela hora difícil.” Após o período complicado e com a volta das atividades presenciais, mais adaptações nas aulas foram necessárias para pensar na segurança das crianças, mas para elas, a volta significava um novo começo. “Foi uma volta com um novo olhar. Foi mágico para elas.”

Laura sempre teve demonstrou amor pela dança. (Foto: arquivo pessoal)

Mais mágico ainda foi a participação da menina em um festival de dança online, o Dança Guaporé. A apresentação foi realizada em trio em que as garotas apresentaram uma coreografia inspirada no filme “Moana” que foi aprendida pelos alunos durante as aulas online. Foi muito tempo de preparação e ensaio realizados no estúdio e também em casa, nos momentos em que não estavam em aula da escola. E todo o esforço foi recompensado, as meninas tiraram o segundo lugar no evento. “Elas precisavam participar e mostrar tudo que aprenderam, mesmo durante a pandemia, com tantos obstáculos que tiveram de enfrentar. Mostraram garra, perseverança e foco, tendo com isso conquistado a premiação” finaliza Veronica. 

Eu voltei a ter vida nos olhos

A dança é muito mais do que só um tipo de movimento do corpo. É sobre você se sentir bem consigo mesma. É o que acredita a aluna do Estúdio de Dança Jorge Rios, Virginia Avila Gava de 51 anos.  A dança sempre fez parte da vida de Virginia, que desde os seus 7 anos já dava seus primeiros passos em um estúdio na cidade de Rio do Sul. Na vida adulta passou um tempo afastada da atividade, mas no ano de 2018, se viu com depressão e pouca qualidade de vida e resolveu voltar a dançar, daí conheceu a Jorge Rios. “Na primeira aula, a professora Soyla falou que nosso bem estar vem a antes de qualquer coisa!” Com a dança, Virginia voltou a ter vida nos olhos.

Apesar de diferente, Virginia logo se adaptou as aulas de dança online. (Foto: arquivo pessoal)

Durante os anos seguintes, participou de apresentações, se sentiu desafiada e se viu curada da depressão.  Mas o mundo prega peças a todos os momentos e em 2020 a pandemia chegou. As aulas antes presenciais precisaram ser adaptadas, começaram a ser online. A rotina da casa mudou. A escola passou a ser em casa e a turma de colegas passou a estar dentro do seu lar.  “No início foi estranho, mas fazíamos!” A professora passava os exercícios e observava o desempenho dos alunos. Como Virginia já tinha uma base anterior facilitava o desenvolvimento e aprendizagem dos exercícios. 

Com o tempo, as aulas voltaram a ser presenciais e com todas as adaptações, as turmas eram incentivadas a gravarem apresentações para serem publicadas no Youtube ou Instagram do estúdio. Virginia teve a oportunidade de se reinventar mais uma vez e ajudar na preparação das colegas e na produção dos materiais. “Tudo é novo” destacou. “Na dança você nunca está pronto” finalizou Virginia.

Foi desesperador

O estúdio de dança Jorge Rios conta hoje com cerca de 180 alunos. (Foto: arquivo pessoal)

Para a professora e sócio proprietária do estúdio de dança Jorge Rios, Soyla Portela Barreto de 30 anos, a pandemia trouxe a necessidade de se reinventar e ter que encontrar novos caminhos para continuar com as atividades. Inaugurado no ano de 2018, o estúdio passava por um bom momento, com um grande número de alunos, participação e premiação em grandes eventos, além do começo do reconhecimento do trabalho. Mas com a pandemia, diversos alunos desistiram das aulas que passaram a ser online. “Diminuiu cerca de 80%”. E tudo de uma hora para outra.

Com o passar dos dias, e a pandemia continuando, o estúdio desenvolveu um método de aulas para manter a mesma qualidade do ensino, além disso investiu em vídeos para o Instagram e Youtube. “A gente conseguiu alcançar um outro público” comenta a Soyla. Com esses conteúdos, a professora acredita que conseguiram demostrar para a população que a dança não é bobagem. É muito mais!

 Com a volta das atividades presenciais, o ensino precisou ser adaptado novamente. As turmas contam com cerca de 6 a 8 alunos no máximo, para garantir a segurança de todos. Atividades em duplas foram suspensas e modalidades de ensino como dança de salão, tango e forró pararam de ser ofertadas no momento.

E foi nos eventos online de dança que a professora encontrou uma forma de incentivar os alunos durante o período difícil. “A gente separa um grupo de alunos e monta uma coreografia”. No início do ano, o estúdio participou do Dança Guaporé, apresentação que Laura fez parte. O grupo ficou em segundo lugar no evento. Para Soyla, as atividades vão demorar para voltar ao que estávamos acostumados antes da pandemia. Teatros, evento presenciais serão algumas das últimas atividades a retornaram a acontecer. “Aqui no estúdio a gente já entendeu como vai ser o futuro próximo. A gente tem que se reinventar e trabalhar de outra forma” finaliza a professora.

Por Barbara Dalamaria e Sabrine Paludo