A última eleição presidencial do país ficou marcada pelos efeitos da polarização política, ou seja, os extremos ideológicos, direita e esquerda. Há quem não optasse por nenhum dos lados, mas a falta de um posicionamento político também acabou sendo bastante criticada nas redes sociais e com as eleições de 2022 chegando em um pouco mais de um ano, esse assunto volta à tona. Afinal, a isenção política existe ou não?

Na teoria, os “isentos” refletem uma enorme insatisfação com o cenário político atual, que tem cada vez menos jovens como principais membros. Jovens que agora vão às ruas  e lutam por mudança e pelos seus direitos. Já os demais, isentos ou em cima do muro? 

A divergência de opinião é diariamente atacada nas redes sociais. Personalidades da mídia, atores ou cantores são cada vez mais instigados a tomaram um lado: direita ou esquerda? Sendo uma pessoa notável, essa decisão define seu público e em alguns casos até seu futuro. A internet tem sido testemunha da batalha travada entre os dois lados.

Ivan Dourado explica que não interferir
na eleição, isso também é uma postura política

Para o professor de sociologia, Ivan Penteado Dourado, não existe neutralidade e nem isenção. “Você pode não querer participar das decisões políticas, mas ao não participar é conivente com aqueles que veem participado e tem maioria” diz o mestre em ciência sociais e acrescenta: “mesmo que você queira não interferir ou não fazer parte dessa postura, ela também é uma postura política”. 

Na decisão pela “isenção” surge a possibilidade de não votar diretamente em nenhum dos candidatos concorrentes à eleição. De acordo com o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é quando o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Já o nulo é aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto.

Vinícius Rauber comenta que o voto branco ou nulo sempre existiu, não sendo algo atual

“O voto branco ou nulo sempre existiu, não há nada de novo na abstenção. É uma posição política que manifesta, geralmente, insatisfação com as opções, ainda que possa ter outras causas, como a desinformação”, ressalta o sociólogo e cientista político, Vinícius Rauber e Souza. 

O Vereador Aírton Scheffel conta que entrou para a política com o intuito de fazer a diferença no desenvolvimento do município, sem promessas a não ser trabalhar pela comunidade. Aírton explica que o voto nulo ou branco é do direito da pessoa e observa que, em nível estadual ou federal, isso significa que a pessoa não concorda com os ideais de nenhum dos candidatos que se apresentam, já a nível municipal isso é diferente. 

Aírton Scheffel lembra que a trajetória
de vida do candidato deve ser observada no
momento da eleição

“Nesse nível, você está muito mais perto do candidato, certamente tem como conhecê-lo melhor e saber da sua história de vida. É aí que podemos ver o que ele já fez e o que permanece fazendo durante toda a sua trajetória como cidadão”, avalia.

Descendente de uma família, da qual o assunto política sempre foi pauta, a Vereadora Tatiana Eckstein salienta que vê a política como um modo de fazer o melhor pelas pessoas e contribuir de forma consciente para a constituição da cidadania. Ela acredita que é uma forma de não apenas buscar pelos seus direitos na sociedade, mas também exercer seus deveres.

Quando questionada sobre o voto branco ou nulo, a vereadora responde que é de certa forma um desperdício. “Pessoas que votam nesse sistema abdicam da oportunidade que possuem de escolher pessoas que vão trabalhar em prol da sociedade”, enfatiza. 

Tatiana Eckstein conta que a politica é um modo de fazer o melhor pelas pessoas

Em seu ponto de vista, o posicionamento é uma peculiaridade muito individual ou particular de cada pessoa e atualmente são poucos os eleitores que não tomam posição, o que deixou de ser um risco para o futuro da democracia.  

O papel das redes sociais 

Que as redes sociais vêm abordando cada vez mais a pauta política, seja pelo Twitter com as hashtags ou publicações no Facebook e Instagram, não é novidade, mas isso pode ser considerado algo positivo ou negativo? Para Ivan, ambas as dimensões de positiva e negativa ocorrem ao mesmo tempo. De um lado, os candidatos possuem uma plataforma própria de contato com seus eleitores, de outro, as notícias falsas também levam à desinformação para o leitor causando problemas no processo democrático. 

Na concepção de Aírton, o posicionamento nas redes depende muito da intenção que está por trás destas opiniões, pois, infelizmente ou felizmente, elas são formadoras de opinião. Concordar apenas com o que os outros fazem, mesmo que estejam errados ou equivocados, não é ter opinião.

Ele também acredita que isso precisa mudar o mais rápido possível. “Se estamos numa democracia precisamos ter o nosso posicionamento. Devemos buscar a melhor alternativa e não simplesmente concordar com o que uma pessoa, a qual você acha importante falou”, lembra. 

Sobre as eleições de 2022, Aírton espera que tenhamos candidatos comprometidos com a sociedade e que queiram realmente resolver os problemas do país e do estado, pois é necessário terminar com algumas mazelas que ainda estão presentes. Além disso, orienta que sejam escolhidos os melhores, não porque alguém importante manifestou o seu desejo por algum candidato, mas que seja pela própria opinião. 

“Temos que ver quem realmente está interessado em resolver nossos problemas ou somente é mais um político tradicional que pensa somente nos seus que o cercam”, finaliza Aírton.

Por Letícia Schneider e Sabrina Tagliari