Close up shot of doctor injecting coronavirus vaccine.

Com provocações bem humoradas, nas últimas semanas prefeitos e governadores vêm anunciando cronogramas que aceleram a corrida da vacina com o objetivo de imunizar cada vez mais grupos e em menos tempo. Nas redes sociais as autoridades destacam suas campanhas de vacinação e trocam mensagens positivas. 

A “rinha da vacina”, expressão irônica batizada pelos internautas, começou ainda no dia 13 de junho, assim que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que o calendário de imunização do Estado seria adiantado em 30 dias. Com essa informação, ele assegurou que todos os cidadãos paulistas com mais de 18 anos receberiam ao menos uma dose da vacina contra a Covid-9 até o dia 15 de setembro, citando até, uma chance do Natal de 2021 voltar às velhas tradições. “Tenho confiança que, neste Natal, as famílias estarão reunidas, os amigos poderão se abraçar, as pessoas poderão voltar a viver com cautela, com cuidado”, falou.

A iniciativa de Doria foi bem vista pelos demais governantes do país. Na manhã seguinte do anúncio do governador paulista, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), provocou de forma amigável e prometeu uma aceleração nas vacinações no Rio:

Com a atitude dos dois líderes, a internet começou a pressionar os demais prefeitos e governadores para que seguissem o exemplo no avanço da vacinação, avisando que a corrida havia começado. Dessa maneira e a partir da empolgação da população, outros políticos acabaram entrando na brincadeira, como os governadores do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

Apesar do sentido de brincadeira da “rinha da vacina”, a corrida da vacinação pode contribuir e incentivar as cidades, conforme destaca a assessora de imprensa do Hospital São Vicente de Paulo, Caroline Silvestro. “Essa mobilização dos governantes é fundamental. Governantes mobilizados significa organização, agilidade na vacinação e comprometimento”, disse. Ela ainda ressalta que “governantes são lideranças e inconscientemente necessitamos desse “norte” de um líder na nossa vida como um todo. Com a vacinação não é diferente. Já vimos exemplos de outros países em que os governantes estão engajados e obteve-se resultado muito positivo na adesão da vacinação”.

Para a ex-secretária de saúde do município de Tapera, Marisa de Souza, a antecipação da vacina é de extrema importância para que toda população fique imunizada. “A circulação do vírus vai continuar, mas com pouquíssimas chances de acometer com gravidade, hospitalização, e as chances de morte são baixíssimas. O estado do RS é o que mais vacinou. Desta forma, estamos com a maioria da população imunizada para assim possibilitar o retorno gradual das atividades em geral”, disse Marisa.

Marisa foi secretária da saúde de Tapera por 17 anos e saiu do cargo durante a pandemia.

Alguns dos fatores que podem explicar a busca pela antecipação da vacinação contra a Covid-19 podem ser relacionados a disponibilidade de novos lotes de vacina, falta de campanhas de comunicação, excesso de burocracia, baixa procura dos grupos prioritários e equívocos nos critérios das filas de espera. 

Caroline é assessora de imprensa do HSVP há oito anos.

Embora a iniciativa dos governantes seja positiva e possa contribuir para a vacinação em massa da população brasileira, outra situação é analisada por trás dos compartilhamentos da internet. Devido ao país estar entrando em um ano eleitoral, Caroline acredita que a ação dos líderes, pode sim, ter relação com as eleições eleitorais de 2022. “Tem seu lado positivo, porque precisamos vacinar em massa e a corrida pode motivar as cidades, bem como a população. Porém, nem tudo que reluz é ouro”, disse a assessora de imprensa. “Estamos prestes a adentrar em um ano eleitoral, em uma época que estamos vivenciando muitas discussões políticas, divisões e escolha de “lados”, por isso, sim, isso tem um viés marqueteiro.”

Mesmo que a corrida da vacina possa ter se tornado uma forma de “mídia positiva” para os governantes, a vacinação segue sendo antecipada e cada vez mais pessoas estão recebendo suas doses. Esse acontecimento é significativo para a população, que foi prejudicada pela demora no recebimento e distribuição dos imunizantes.

Ainda assim, diante de todas as mobilizações, o Brasil se encontra em 68º no ranking global de vacinação. Ao passo que algumas localidades não têm um avanço considerável, outras regiões se destacam. Os exemplos são os estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. 

Segundos dados das Secretarias de Saúde dos respectivos estados:

No Rio Grande do Sul já foram 4.446.600 primeiras doses aplicadas, e 1.786.136 gaúchos já fizeram as segundas doses. O Paraná tem 4.144.788 de primeiras doses aplicadas, e 1.329.554 de segundas doses. 

No Mato Grosso do Sul, 1.109.896 pessoas foram vacinadas com as primeiras doses e 445.713 com as segundas doses. Em São Paulo, 17.707.932 de pessoas estão imunizadas com a primeira dose e com a segunda, são 6.064.143.117.

A vacinação nacional segue o cronograma por idade. Essa semana, São Luís, capital do Maranhão se tornou a primeira capital a vacinar pessoas a partir de 18 anos sem comorbidades.

Por Roberta Scolari dos Santos e Vanessa Ritter