O ano de 2021 iniciou com novidade na Câmara de Vereadores de Passo Fundo e nas demais cidades do Brasil. As Eleições Municipais que ocorreram no domingo do dia 15 de novembro de 2020, elegeram 14 novos vereadores em Passo Fundo, além de reeleger sete parlamentares, ocupando as 21 cadeiras do Legislativo Municipal. 

Uma das novidades desta eleição na Capital do Planalto Médio é a nomeação de quatro mulheres como vereadoras. Esta foi a primeira vez na história que Passo Fundo elegeu um número considerado alto de candidatas do sexo femenino. Composições mais antigas contaram com a participação de vereadoras, mas apenas uma em cada mandato, e na candidatura anterior, não havia representantes do gênero em sua formação.
“Nossa votação expressiva demonstrou o desejo de mudança da comunidade.”, relata a vereadora Regina dos Santos, mais conhecida como professora Regina. Foram 70 anos com apenas nove vereadoras eleitas desde o final do Estado Novo. Antes desta eleição, a última representante eleita na cidade havia sido Claudia Helena Paim Furlanetto (PCdoB), no mandato de 2013-2016. 

Ada Cristina Munaretto, Eva Valéria Lorenzato, Janaina Portella e Regina Costa dos Santos são as mulheres que representam essa renovação dentro do legislativo passofundense. Totalizando mais de 5 mil votos, elas procuram representar o público femenino através da política. “Ter mulheres em posições de destaque, como em cargos eletivos, encoraja outras mulheres a também buscarem posições de destaque, o que, há não muito tempo atrás, não era comum.” descreve a vereadora Ada. 

Gráfico referente aos votos que cada vereadora fez na eleições de 2020 segundo Câmara de Vereadores de Passo Fundo-RS

A representatividade feminina no legislativo garante que assuntos e lutas femininas sejam pautas dentro da Câmara de Vereadores. Em entrevista, Regina relata: ”Ter mulheres na câmara renova a esperança. Como vereadora eleita é meu dever  continuar lutando contra todas as formas de violência, de ser uma das vozes das mulheres na câmara de vereadores de Passo Fundo, representando e propondo políticas públicas que promovam ações que incentivem a emancipação feminina e que contribuam para melhorar a qualidade de vida e de trabalho das mulheres Passofundenses”, aponta a vereadora. 

Ela continua falando sobre o ponto de vista feminino. “O olhar das mulheres conferirá um contorno diferenciado à atuação que será realizada, com melhor representatividade e consciência. Não tenho dúvidas que as políticas públicas serão próximas das reais necessidades enfrentadas pelas mulheres no dia-a-dia e ninguém melhor que uma mulher para representar outra”. Na última eleição,17% dos municípios brasileiros não elegeram mulheres para as Câmaras Municipais. Apesar de Passo Fundo possuir um destaque em relação a outros anos, de acordo com os dados do IBGE, as mulheres representam cerca de 52% da população passofundense e nos cargos eletivos menos de 20%. 

“Penso que, infelizmente, ainda existe muito o estigma social de que política não é lugar para mulher e isso reverbera nas instâncias de representação, nas famílias e na sociedade de um modo geral. Por exemplo, uma mulher que se dispõe a ocupar uma função representativa precisa conciliar isso com as outras tarefas, sejam profissionais, sejam de cuidado com os filhos, a família e a casa. Já para os homens isso dificilmente acontece ou, quando muito, conciliam a função política com a carreira profissional. Essa divisão sexual que impõe às mulheres a responsabilidade de todo o trabalho de reprodução familiar gera uma sobrecarga que acaba afastando as mulheres desses espaços.”, diz Eva Valéria.

Para além disso, é preciso que os partidos também vejam as mulheres como lideranças que podem ser boas representantes e estimulem cada vez mais a participação feminina nas instâncias partidárias. “Por muito tempo lutamos e continuaremos lutando para que nossa voz seja ouvida, mas ter cadeiras ocupadas por mulheres na câmara possibilita que independente da vontade dos parlamentares, temos nosso tempo/direito de fala garantido”, declara a vereadora Regina.

Por Letícia Vargas e Tainá Binelo