Criar laços, socializar e manter uma rotina ativa. Qual destas opções você acha mais importante para a saúde de uma criança? Para o Artur Rissi Catto, de dez anos, as três alternativas são maneiras de fazer exercícios ao mesmo tempo em que se diverte. Ele iniciou a prática de esporte na escolinha de futebol E.C. Vila Nova/Independente quando tinha cinco anos, inspirado pelo seu pai, Varlei Catto, que sempre teve uma vida baseada em atividades físicas.

A decisão de se matricular em uma escolinha de futebol partiu de Artur, o que foi prontamente aceito pelos seus pais. A mãe, Vanessa Rissi, considera o esporte uma das melhores maneiras de proporcionar uma infância tranquila, longe de muita tecnologia. “A criança envolvida com esportes não tem tempo de se interessar por videogames, o que proporciona ter uma atividade física e estabelecer relações sociais” ressalta Vanessa.

Pai de Artur, Varlei Catto, fonte de inspiração e motivação.

Relações essas que Artur criou no decorrer destes cinco anos no Vila. O que era para ser somente parceiros de campo, evoluiu para uma relação muito mais intensa repleta de amigos verdadeiros. A rede de amigos que o esporte proporcionou ao Artur se estendeu também a sua família e aos demais colegas que atualmente se transformaram em uma equipe, onde todos os pais acompanham a evolução dos seus filhos na prática do futebol de campo e cada um pode continuar incentivando cada vez mais.

Amigos e parceiros de campo de Artur.

Entretanto, em março de 2020 a rotina de Artur mudou repentinamente. Diante de uma pandemia que o obrigou a ficar em casa, ele encontrou no videogame uma alternativa de deixar o tempo menos ocioso. A sua família começou a buscar maneiras de fazer ele retornar aos poucos para os campos e atividades de antes. “Quando o campo fechou por causa da pandemia, o Artur ficou preguiçoso e começou a jogar videogame. Ele tentou retornar aos treinos quando foi liberado, mas não deu certo porque o professor deu uma chamada nele e ele não quis mais ir. Ficou um ano sem treinar, mas voltou semana passada”, relata a mãe. 

O treinador do E.C. Vila Nova/Independente que acompanha o Artur desde o início desta trajetória, Guilherme da Cruz Claro, foi um dos principais influenciadores e motivadores do pequeno atleta. Com apenas cinco anos, Artur já passava a ter entendimento de alguns valores essenciais para a vida que foram estimulados pelo treinador, bem como a disciplina e a responsabilidade com seus deveres, que na época se dava pela pontualidade nos treinos. Foi a partir disso que ele começou a compreender o mundo de uma forma mais prudente em que, sim, havia regras a serem seguidas. 

“A criança envolvida com esportes não tem tempo de se interessar por videogames, o que proporciona ter uma atividade física e estabelecer relações sociais” ressalta Vanessa.

O profissional de educação física acredita que o esporte pode transformar vidas e, principalmente, impactar positivamente no desenvolvimento infantil.

“A prática de esporte é muito importante na socialização, no trabalho em grupo, na coordenação, na consciência corporal, na competitividade, aprender a ganhar e a perder, na saúde e no bem estar”, comenta Guilherme.

Guilherme – a direita – ensinando em quadra para os atletas.

Para ele, a prática de exercício físico deve se dar o quanto antes na vida da criança. “Crianças gostam de correr, saltar, rastejar, se desde cedo ensinamos brincadeiras que exijam repertório motor, o desenvolvimento dela será melhor do que aquela criança que fica na frente do celular”, finaliza. 

Por Beatriz Fioro e Beatriz Menezes