Número de pedidos de ajuda e registros de ocorrência de violência contra mulher cresce em Passo Fundo. | Foto: Arquivo Pessoal | Ana Caroline Haubert

O mês de agosto, mês alusivo ao combate à violência contra mulher, encerra com registros preocupantes em Passo Fundo. Contudo, ao mesmo tempo que o município continua atendendo casos de violência contra mulher, existe uma rede estruturada de apoio e combate a essas vítimas.

A secretária adjunta da Secretaria de Cidadania e Assistência Social – Semcas – , Elenir Chapuis, salienta a importância da existência e o fortalecimento dos serviços prestados pelas instituições e órgãos públicos em combate à violência.

“De todas as ações, uma das mais importantes, é ter alternativas, para que as mulheres saibam a quem buscar quando sentirem-se ameaçadas e vítimas de qualquer tipo de violência. O que significa o fortalecimento das instituições e políticas públicas, instituídas, aptas e capacitadas para prestar o atendimento, inclusive com recursos humanos”, ressalta Elenir. 

A rede de atendimento à mulher em Passo Fundo conta atualmente com uma Delegacia Especializada, Conselho da Mulher – composto por vários segmentos da sociedade civil e governamentais -, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social,  a Casa da Mulher – que atende mulheres que solicitam medida de acolhimento, a fim de proteção e afastamento do agressor – e a Coordenadoria da Mulher, a qual trabalha com os demais órgãos e articula a rede de atendimento e busca formas de estabelecer políticas públicas. 

Além disso, a comunidade conta com os serviços da Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar, que faz o acompanhamento das ocorrências e a situação das vítimas. A rede conta com a parceria do Projur Mulher e Diversidade, da Universidade de Passo Fundo, o qual realiza o atendimento jurídico nos casos. Passo Fundo vai inaugurar, ainda, uma Vara Especializada no Poder Judiciário.

Ainda em 2021, esses são os registros de violência contra mulher em Passo Fundo:

  • 404 ameaças;
  •  213 lesões corporais;
  • 17 estupros;
  • 3 tentativas de feminicídio.  

Em 2020, a Casa da Mulher, cujo local é responsável pelo acolhimento atendimento social de mulheres em situação de risco, registrou os seguintes dados:

  • 124 acolhimentos;
  • 67 casos de violência psicológica;
  • 53 casos de violência física;
  • 4 de violência sexual. 

Número significativo, que nos indica dois caminhos: as mulheres, estão sofrendo violências, mas seguem denunciando, permitindo que a rede de proteção e prevenção possa ajudá-las.

“Embora o municipio tenha muitas opções em atendimento e apoio às mulheres, a secretária salienta a necessidade de combater esse tipo de acontecimento. “Ainda há muitos paradigmas a serem vencidos na proteção da mulher e garantia de seus direitos, que vão para além das situações de violências, mas passam pela falta de acesso a elementos fundamentais à vida, educação, geração de renda, dentre outros, e as campanhas auxiliam na reflexão e planejamento de ações e formas de atendimento e encaminhamentos”, conclui Elenir.

Como denunciar:

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.