A vida das mulheres teve uma guinada muito relevante a partir da metade do século passado. Constantes lutas ao redor do mundo transformaram a vida das mulheres, que passaram a exercer o direito de trabalhar, votar e serem um pouco mais independentes. Porém, as mulheres ainda possuem muitas barreiras para ultrapassar, principalmente dentro da realidade brasileira. Mesmo trabalhando, muitas mulheres ainda não conseguem atingir cargos de chefia ou de CEO das empresas e quando alçadas a esses postos hierárquicos, sofrem ataques de misoginia com recorrência.

Isso ocorre devido ao fato de que a sociedade em que vivemos ainda mantém características bastante patriarcais e de dominação masculina onde o homem ainda possui prestígio e relevância. Essa visão foi o motivo que afastou Ana e Edina Franciosi da propriedade da família em Mangueirinha, Paraná, “Nós nascemos e fomos criadas dentro da fazenda, porém o direcionamento das atividades sempre foi reservado aos irmãos e a gente acabou indo para outras áreas”.

Ana, veterinária e Edina, arquiteta, só retornaram ao meio da fazenda com o falecimento do pai e ambas sentiram enorme dificuldade na gerência do empreendimento, muitas vezes gerados por olhares de desconfiança, porém com o tempo o relacionamento com os empregados, fornecedores e demais homens foi melhorando. ”Num primeiro momento, até os antigos empregados, acostumados com homens no campo, ficavam intrigados ao ver a gente colhendo soja com a colheitadeira. Hoje, eles não só estão acostumados, como também nos ajudam nessa parte mecânica do negocio”, conclui Edina.

Irmãs estão no empreendimento há mais de uma década

”Num primeiro momento, até os antigos empregados, acostumados com homens no campo, ficavam intrigados ao ver a gente colhendo soja com a colheitadeira. Hoje, eles não só estão acostumados, como também nos ajudam nessa parte mecânica do negocio.”

Edina Franciosi

As irmãs ajudaram a criar uma comunidade de outras mulheres empreendedoras do agronegócio em Mangueirinha, o “Mulheres no agro”, onde além de aprenderem sobre o ofício, também exercitam liderança, autoconhecimento e união entre si. Dessa forma, elas aprendem a lidar com aquele ambiente cujo machismo costuma saltar aos olhos, principalmente em relação a mulheres sem formação em Ciências Agrárias.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Taxa de Participação Feminina na Força de Trabalho (TPFT) cresceu 3% entre 2002 e 2015, alcançando a marca de 40%.

O número é ainda mais relevante quando comparado com o cenário histórico do agronegócio, no qual as mulheres tinham participação relativamente baixa em décadas anteriores. A luta pela construção de um espaço mais igualitário no mercado de trabalho tem mostrado resultados, e elas conseguiram quebrar diversas barreiras.

Presença dos filhos no campo é o xodó de Ana.

O casal de filhos de Ana, por exemplo, recebe estímulos iguais em relação às atividades e ao ambiente do campo, sem haver qualquer distinção, pois aprenderão desde cedo que mulheres possuem as mesmas atribuições masculinas e somente assim, existirá um princípio de igualdade entre os gêneros.

Por: João Henrique Trojan e Tobias Betin