A tomada do poder do Afeganistão pelo grupo Talibã trouxe à tona, dentre as inúmeras preocupações políticas, econômicas e sociais, um problema que persiste há muito tempo: a perseguição do extremismo religioso contra as mulheres.

Infelizmente não é coisa do passado, fora de contexto ou incomum. A perseguição religiosa contra as mulheres é um problema ainda existente em nossa sociedade. Algumas religiões com restrições e punições mais rígidas, outras mascaradas e descritos como de “bom costume”, o fato é que mulheres seguem enfrentando o extremismo religioso por todo o mundo. Os anos e anos de desigualdade entre homens e mulheres, as conquistas e avanços de paridade nos últimos anos, em questão de horas mudou radicalmente. Para a mulher afegã, direitos conquistados com muita luta e sofrimento nos últimos anos vinte foram bombardeados com a tomada do grupo Talibã, opondo restrições extremas que ameaçam até mesmo a vida da mulher.

Com a tomada, regras como a obrigatoriedade de uso de burca, vestimenta que cobre completamente o corpo da mulher, com exceção dos olhos, a cidadã afegã também não pode sair de casa sem estar acompanhada de um homem. O porta-voz do grupo ainda orienta as afegãs a nem saírem de suas casas, pois seus soldados “não são treinados” para respeitarem as mulheres, exaltando a ameaça à vida da mulher.

“Qualquer religião ou seita que não respeite os sujeitos independente do sexo é repressiva.”

Maria Goretti

A professora de Jornalismo da UPF, Maria Goretti, explica que já se havia superado esses conceitos e retornar com esses pensamentos rígidos e preconceituosos é um retrocesso. O entendimento que o Talibã, e outros grupos religiosos pelo mundo, têm de suas religiões é radical, mas não significa que as religiões em si pregam o que eles estão fazendo.

Lembrando que a tomada de poder do Talibã aconteceu logo após o ex-presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, fugir do país e se exilar nos Emirados Árabes. A retirada repentina das tropas americanas também foi um dos motivos que ajudou o Talibã a assumir o poder. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, ordenou a retirada repentina de suas tropas, deixando para trás milhares de equipamentos de guerra, que agora estão nas mãos do Talibã. Isso também gerou um caos no aeroporto de Cabul, deixando alguns feridos.

Por: Felipe Troian e Giancarlo Klein