“Nova Orleans, anos 1920. Em um bordel, fotógrafo fica amigo da filha de 12 anos de uma prostituta. Quando a prostituta foge para casar, a menina é forçada pela madame do bordel a trabalhar. Ela perde a inocência e tenta ficar com o fotógrafo.” Esses escritos fazem parte da premissa original do filme Pretty Baby, de 1978, dirigido por Louis Malle. Na época das gravações a equipe que produzia o longa procurou a família de Brooke Shields, que tinha 11 anos. A menina havia participado, algum tempo antes de uma sessão de fotos realizada por Gary Gross. As fotos mostravam Brooke nua e em poses sensuais, e venderam absurdamente na época. Após o lançamento de Pretty Baby, Brooke passou a ser cortejada por Hollywood. Na sua adolescência, ganhou seu papel de mais destaque no longa A Lagoa Azul, que na época tinha 14 anos e aparece em diversas cenas nuas. Em sua vida adulta, passou a ser convidada para papeis menores, e conforme o tempo foi passando, suas participações em filmes foram ficando cada vez menos significativas. Em 2009 o debate sobre a sexualização feminina voltou a ser discutido devido a uma exposição no Museu Tate Modern de Londres com imagens captadas por Gary Cross e Richard Prince. Na exposição, a foto polêmica da Brooke Shields foi substituída pela mesma modelo, na mesma pose, porém com uma diferença de idade de 30 anos mais velha.  A infância de Brooke Shields foi usada para causar tesão em homens com o triplo de sua idade, a exploração de seu corpo, desde criança, revelou uma sombria prática Hollywoodiana e quando o corpo infantil e o ar de adolescente virgem, já não entorpeciam mais o público promíscuo masculino, ela foi deixada de lado, como um produto desatualizado que, na cabeça de muitos diretores, ela virou.

Porém o machismo não está somente no público, mas nas próprias obras. Personagens femininas são constantemente estereotipadas, como por exemplo a garota diferente, ela não é como todas as outras, é descolada e divertida. No filme tem a função de mudar a vida do personagem masculino- mesmo ele sendo coadjuvante. A forma machista desse estereótipo é que a mulher que assiste cria a ilusão de precisa ser diferente de todas as outras para conquistar um homem. Além de que esse retrato exclui toda autonomia feminina, que sempre precisa de um homem para ter qualquer destaque – mesmo em sua própria vida pessoal.

Avaliando a questão da participação e interação das mulheres nos filmes, foi elaborado um teste, o Teste de Bechdel, que busca entender como os papeis e suas importâncias são distribuídos no enredo, que consiste em três regras básicas: 1. O filme precisa ter no mínimo duas personagens femininas (com nome); 2. As mulheres conversam uma com a outra; 3. E elas conversam sobre algum assunto que não seja homens? É impressionante observar como são poucos os filmes que de fato passam por esse tipo de teste. Em uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia do Sul, em parceria com o Instituto Mídia e Gênero e a ONU Mulheres, apenas 30% dos personagens com falas nos filmes são mulheres, sendo que nem todas as produções analisadas (cerca de 500 filmes) passam no teste de Bechdel. É importante salientar que não é um teste de qualidade, isso quer dizer que se caso um filme não passe pelas 3 regras, isso não significa que o filme é ruim, mas pode ser desagradável para o público feminino.

O problema é limitar as mulheres a seres que SÓ falam sobre isso, como se fossem capazes de conversar sobre qualquer outro assunto, como cinema, música, livros, esportes e até teoria quântica. É como se não pudessem ser nada além de um rostinho bonito e um corpo sarado. Mas aí entramos em outra discussão que é o problema dos padrões de beleza impostos pela sociedade e como eles são retratados no cinema, nos quadrinhos, nos jogos de vídeo game, mas aí é assunto para outra hora.