Por que não posso chamar meu pet de filho? Poder chamar você pode, mas sabe qual é o problema nisso? A comparação! Sim, infelizmente, mães de pet comparam a criação de crianças à criação de animais. Desde sempre, ser mãe na nossa sociedade é visto como “maternidade doriana“, aquela mãe super dedicada, sempre arrumadinha, cheirosinha, lindinha, esperando o maridinho pra janta ou “a mãe vagabunda“, desleixada, “não trabalha”. Você, mãe de pet, já passou por este tipo de constrangimento? As pessoas te julgam nisso por ser mãe do seu bichinho?

Pode parecer exagero dizer que um gato ou cachorro seja parte da família. O fato é que nos últimos anos essa relação mudou muito. Hoje em dia, adotar um pet e recebê-lo em casa exige muita responsabilidade.

Tem a hora de dormir, acordar, a hora da alimentação, até escolinha e creche para aqueles que precisam treinar, gastar energia ou passam muito tempo sozinhos. E toda mãe de pet sabe que custa caro: tem ração, anti pulgas, remédios, consultas veterinárias, vacinas… Isso sem contar acessórios, brinquedos e tudo mais que você precisa ter em casa para receber o animal.

Bruna Klauck é Nutricionista, casada e mãe de dois, sim MÃE de dois, Bruna antes de ter seu filho Joaquim, já era mãe de seu cachorrinho carinhosamente chamado de Jack.

“Por muitos anos fui mãe apenas de pet, é gostoso demais e não precisamos nos desfazer dos animais quando nascem nossos pequenos. É um vinculo de amizade que eles constroem. Com todo cuidado, higienize e vacinas em dia, é maravilhoso o contato de um bebê com um pet.”

– Bruna Klauck

Jack era filho único e estava com Bruna há cinco anos, desde quando ela foi morar sozinha, ele sempre se mostrou muito carinhoso e independente. Depois do nascimento do Joaquim, se iniciou as mudanças e as barreiras foram surgindo. Segundo Bruna, Jack estranhou o cheiro, e mal chegava perto de seu bebê, e eles lhe deixaram a vontade, e aos poucos ele começou a se aproximar de Joaquim.

Atualmente Joaquim tem seis meses de vida, e Jack se tornou seu melhor amigo e os dois não se desgrudam, dormem juntos e toda manhã Jack acorda e vai conferir onde está Joaquim. ‘Se ele está dormindo, lambe as mãos dele como quem diz: acorda vamos brincar!’

No início foi difícil para Jack aceitar o novo bebê da casa, mas agora são grandes amigos. (Reprodução: Arquivo Pessoal)


Bruna frisou…’Por muitos anos fui mãe apenas de pet, é gostoso demais e não precisamos nos desfazer dos animais quando nascem nossos pequenos.
É um vinculo de amizade que eles constroem. Com todo cuidado, higienize e vacinas em dia, é maravilhoso o contato de um bebê com um pet.’

Jack e Joaquim já criaram um vínculo de amizade. (Reprodução: Arquivo Pessoal)

“ Ambos (mãe de humanos e mãe de animais) são ” maternidades” com suas diferenças e peculiaridades. E também defendo que cada um é livre para escolher o ” tipo” de família que preferir. Regras impostas pela sociedade patriarcal não respeitam individualidades e liberdade de escolha. Eu posso ser mãe de uma planta e até de um inseto, se for de minha vontade.” 

– Adriane Finger.

Adrini Finger também é uma das tantas pessoas que se denomina mãe de pet, e não são pouco filhos. Entre cães e gatos são 12 no total, e diz que o amor incondicional pelos animais não é de agora, mas desde de nova quando tinha entre 5 e 6 anos. Os bichos a ensinaram a ser paciente, ter tolerância com as individualidades de cada um e que até o ato de levantar pela manhã para atender as necessidades deles a acalma. 

E quanto a ser mãe de verdade como muitos dizem por aí? A protetora de animais nunca sentiu a necessidade ou vontade de ser mãe de um bebê humano, e afirma que comparações não devem ser feitas, exceto quanto ao compromisso que é diferente. Os pets dão trabalho, mas a rotina dos animais é mais tranquila do que a de uma criança, mas isso também não significa que é fácil, afinal, há todo um cuidado como a limpeza diária dos utensílios, das camas, troca de água, banheiro dos gatos, alimentação, vermífugo e banhos periódicos em casa. 

Algo que se assemelha em ambas as maternidades é o planejamento, além dos custos básicos e mensais também é preciso ter em mente que imprevistos podem acontecer e demandar gastos não previstos no orçamento da família. Sem falar que o filho e/ou filhote precisa ser amado e cuidado, às vezes querer um animal no impulso garante ao bichinho uma vida de abandono e quanto a criança, uma vida solitária e repleta de problemas psicológicos.

Adriani ainda diz que cada um é livre para escolher o tipo de família que preferir. “ Ambos (mãe de humanos e mãe de animais) são ” maternidades” com suas diferenças e peculiaridades. E também defendo que cada um é livre para escolher o ” tipo” de família que preferir. Regras impostas pela sociedade patriarcal não respeitam individualidades e liberdade de escolha. Eu posso ser mãe de uma planta e até de um inseto, se for de minha vontade.” 

No total Adriani é mãe de 12 pets. (Arquivo Pessoal)

Por Luana Signor e Júlia Koop