Há quem busque fugir dos convencionais cães e gatos na hora de adquirir um bicho de estimação. Uns preferem algo diferente, como animais rastejantes, com oito patas, grandes asas. Seja qual for a escolha, é preciso ter muita atenção e cuidado no processo de aquisição e criação dos animais. 

Diferente dos animais domésticos, os chamados animais silvestres possuem funções ecológicas na natureza, revelando sua importância para o equilíbrio ambiental. Até 1967, com a criação da Lei nº 5.197, a legislação anterior responsável pelos silvestres regulamentava apenas a caça e contrabando dos animais, não relevando práticas de domesticidade. Atualmente, é possível adquirir um animal silvestre de forma legal seguindo uma série de regras impostas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), entre elas está a obrigatoriedade de compra em um dos criadouros autorizados pelo órgão. Vale ressaltar que a legislação varia em cada estado. 

O papagaio está presente em muitos lares brasileiros. Foto: reprodução

Muitos dos animais silvestres são comercializados como animais de estimação, sem regulamentação e até mesmo sem o conhecimento da população. Papagaio e aranha são exemplos de animais comuns em lares brasileiros, mas que sequer deveriam ser pets sem o conhecimento do órgão responsável. 

E justamente na classe dos aracnídeos que a estudante de artes, Suéllen Tumellero, criou seu primeiro animal silvestre. Curiosa e fascinada por aranhas, aos 13 anos, a estudante criou uma aranha papa-moscas quando o animal apareceu em sua casa, motivada em combater uma intolerância comum: “Percebia que as pessoas tinham medo e matavam qualquer aranha que viam, sem nem saber se ela era perigosa ou não”. Suéllen conta que sempre deixava o animal em um pote propício, com ambientação agradável para o animal se manter e produzir suas teias. Sua rotina como cuidadora, era coletar moscas: “A mosca tinha que estar viva, senão ela não comia”. Suéllen ainda conta que após um mês com a aranha, resolveu abrir o pote pois ficou com medo de fazer o animal sofrer: “Deixei o pote aberto lá fora e ela continuou vivendo nele por mais um bom tempo”, diz a estudante.

“Percebia que as pessoas tinham medo e matavam qualquer aranha que viam, sem nem saber se ela era perigosa ou não”

Suéllen Tumellero
A aranha papa-moscas possui a melhor visão entre os aracnídeos. Foto: reprodução

Apesar de fugir dos padrões de criação de aranhas, onde a espécie mais procurada é a tarântula, Suéllen diz que o principal aspecto diferente era “não poder ficar pegando ela”. Diferente da tarântula, a papa-moscas é um animal muito pequeno, saltitante e de extrema agilidade. Ambos os animais não possuem veneno prejudicial ao ser humano, assim como 99,6% das mais de 48 mil espécies de aranhas. Porém, ao lidar com animais historicamente não domesticados, todo cuidado é pouco.

Muitas ONGs batalham para impedir que animais silvestres sejam criados como pets, alegando fatores como o bem-estar comprometido, o impacto na ecologia e o impulso para a extinção. Em 2019, a World Animal Protection lançou um relatório, elencando fatores e expondo dados da crueldade de manter animais silvestres em casa. Em contrapartida, todos os anos a lista do Ibama atualiza e abre espaço para que mais espécies possam ser domesticadas em lares brasileiros.

Por: Felipe Troian e Giancarlo Klein