A luta de pessoas contra o abandono e os maus tratos aos animais de estimação é cada vez maior. Ferramentas muito utilizadas  para fazer denúncias, trocar informações e compartilhar boas práticas para evitar o sofrimento dos pets são as redes sociais.  

Para se ter uma ideia, dados de 2018 mostravam que  os animais de estimação somavam em média 139 milhões no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país já tem mais cães e gatos nos lares do que crianças, conforme consta no último censo. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no Brasil existam mais de 30 milhões de animais abandonados. A maioria deles são cães, em média 20 milhões. Com o avanço da Covid- 19, mesmo sem  evidências de que cães e gatos transmitem a doença, o número desses animais abandonados aumentou significativamente. Uma vez que seus “donos” pensam que o animal doméstico irá, de alguma forma, ser contagiado pela doença, algo cientificamente nunca comprovado.  

Nas cidades grandes, muitos animais foram adotados durante a quarentena, e o risco deles serem abandonados no pós-pandemia é ainda maior. A cada cinco habitantes, um deles tem cachorro e isso aumenta o risco de abandono. Uma vez que seus donos irão voltar a seus próprios interesses e podem “esquecer” do animal. 

Páginas e comunidades do tipo “adote um amiguinho” e “arrecadando fundos para ajudar um pet resgatado”  estão cada vez mais em visibilidade. Principalmente se os artifícios usados pelas páginas possuírem algum tipo de foto chocante ou história comovente do animalzinho. Mesmo com o conteúdo apelativo  viralizado na Internet, os internautas refletem sobre o tema e acabam por ajudar o animal ferido que está abandonado.

Dentre essas pessoas ativas nas redes sociais, com trabalhos voltados para ONGs que ajudam animais de rua, está Cacá Nedel. Membro da Associação Passofundense de  Proteção aos Animais (COMPATA) desde de 2009, ele resgata todo o tipo de animal doméstico ferido. Inclusive, animais silvestres.

Cacá Nedel acredita na causa animal e segue um estilo de vida vegano

Segundo ele, o diferencial da Associação é a transparência nas redes. “Quando ainda tínhamos a página da Associação, nós postavamos álbuns de fotos sobre cada um dos animais, mostrando desde o momento do resgate, na clínica veterinária, até o dia em que eles foram adotados. Essa clareza de informações sobre os bichinhos, fez com que as pessoas apostassem na COMPATA e nos ajudassem muito financeiramente e na visibilidade do nosso trabalho” diz. 

A página foi hackeada em 2019. Por isso, a Associação trabalha atualmente focada na aprovação de projetos de leis em nível estadual e nacional. Eles continuam com o trabalho de ajudar os animais em perigo na região de Passo Fundo, mas agora eles postam vídeos na rede social YouTube e também possuem um site próprio, onde é possível fazer doações e conhecer as histórias dos animais resgatados e cuidados por eles. 

Nedel compartilhou nas redes sociais quando a página foi hackeada

Nedel ainda acrescenta a honestidade da COMPATA no momento de receber as doações para fazer o tratamento adequado nos animais. “Todo o dinheiro arrecadado na conta bancária só sai de lá por transferência eletrônica para conta da clínica veterinária. Ela nos emite uma nota fiscal, tudo conforme a lei. É uma segurança para as pessoas saberem para onde o dinheiro delas está indo”, afirma Nedel.

Além da transparência no online, o COMPATA também permite que as pessoas possam ir até a clínica, “conversar com o veterinário responsável e ver o animal para saber da situação deles pessoalmente para terem a garantia de que o que postamos sobre o processo de auxílio e tratamento dos animais é real”, finaliza Nedel.  

Outra iniciativa semelhante ao COMPATA é a Associação São Francisco Protetor dos Animais (ASFAPAN), do município de Sananduva. A médica veterinária Silvana Coppini auxilia no tratamento dos animais resgatados pelos membros da ASFRAPAN, que são levados até sua clínica. “Na maioria das vezes esses animais vem caquéticos, com ectoparasitas como pulga, miíase ( bicheiras), sarna e muitas vezes com dermatites, fraturas e até mesmo perfuração por projétil e muito debilitados”, relata Silvana.

Ter um animal de estimação requer cuidados e atenção

Além do estado em que os animais chegam para serem tratados, a veterinária conta a sua revolta por ver os animais debilitados por causa das ações humanas. “O sentimento é de indignação e até mesmo de revolta. Saber que esses animais estão assim por causa de seres humanos, é muito deprimente. Ao mesmo tempo, há esperança por existir pessoas que se envolvam com a causa”, diz.

Silvana também ressalta, assim como Cacá Nedel, sobre como as redes sociais podem ser usadas para compartilhar a empatia com os animais em maus tratos. Mas, isso deve ser feito de forma cautelosa. Ela comenta que muitas instituições de ajuda animal divulgam em suas redes sociais imagens da situação em que o animalzinho foi encontrado, ou de como ele chegou na clínica veterinária. “Acho válido divulgar, mas também não pode ser de uma forma muito agressiva para não repelir as pessoas”, afirma. 

A veterinária também acredita que este trabalho de conscientização deve iniciar ainda nas séries iniciais do Ensino Fundamental, para que as crianças aprendam desde cedo a diminuir esse comportamento. 

Por Eduarda Lazzari e Isamara Baumgratz