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O abandono de animais domésticos no Brasil cresceu 61% entre julho de 2020 e fevereiro de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da ONG Ampara Animal. Cães velhos e doentes ou feridos são os que normalmente são abandonados. Mas, com a crise provocada pela pandemia da Covid-19, muitas pessoas se desfizeram dos animais de estimação, principalmente por não ter condições financeiras de mantê-los. 

Abandonar ou maltratar animais é crime desde 1998. E, para fortalecer esta condição, em setembro de 2020 foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro uma nova Lei que aumenta a pena para quem pratica crimes contra cães e gatos. Agora, quem abandonar, ferir, mutilar ou cometer atos de abuso contra os animais domésticos pode ter pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. Antes, a punição prevista era detenção de três meses a um ano, além de multa.

Para cuidar destes animais abandonados e oferecer um recomeço em novos lares, existem diversas Organizações Não-Governamentais (ONGs) espalhadas pelo mundo. 

Voluntariado que dá certo 

Em Lagoa Vermelha/RS, a Associação de Protetores Incondicionais dos Animais (Apia) trabalha no objetivo de resgatar animais abandonados ou maltratados, realizar os cuidados necessários e buscar novos lares para gatos e cachorros da cidade e região. Além de abrigo para os animais, a ONG também possui lares temporários, organizados pelas pessoas que são voluntárias da iniciativa. 

De junho a agosto deste ano, 35 animais foram resgatados. Estes se juntaram a outros 10 que já estavam no abrigo e estão esperando novos donos. Desde sua origem em 2015, mais de dois mil animais já foram resgatados. 

Para se manter a ONG recebe recursos de diversas fontes, como com doações da comunidade, aporte financeiro do Poder Público Municipal, realização de eventos no decorrer do ano, como bazares, e também através de recursos oriundos do programa do Governo Estadual “Nota Fiscal Gaúcha”, onde os cidadãos ao cadastrarem suas Notas Fiscais para concorrer a prêmios, também indicam uma entidade social para ser beneficiada com repasses. 

Um dos participantes da iniciativa é o voluntário Valdoir Freitas de Lemos. Ele conta que a Apia surgiu de um grupo de amigos que defendiam e socorriam animais abandonados de forma individual e resolveram se organizar em uma ONG para facilitar o recebimento de recursos. 

“O controle de animais em situação de abandono, risco ou sofrimento continua sendo um desafio para toda a sociedade. Se cada um fizer um pouquinho muitos animais não estarão abandonados e sofrendo pelas ruas”, ressalta Valdoir. 

Além do resgate dos animais, a organização também quer conscientizar a sociedade sobre a importância da adoção responsável e desestimular a compra e venda de animais domésticos. 

“O trabalho e sucesso da ONG só acontece devido ao esforço realizado diariamente pelos mais de 90 voluntários, que conciliam seu trabalho profissional e vida pessoal com as iniciativas de proteção animal. Isso é o que nos dá muito orgulho”, comenta Valdoir. 

“O trabalho e sucesso da ONG só acontece devido ao esforço realizado diariamente pelos mais de 90 voluntários”, comenta Valdoir Freitas de Lemos. 

Conscientização no cuidado com os pets

Outro exemplo de entidade destinada ao cuidado animal é de Tapejara/RS. A Apata (Associação de Proteção aos Animais) é uma associação criada em 2013, que conta atualmente conta com 17 voluntários, e possui o principal intuito de promover palestras e campanhas educacionais para conscientizar a população sobre os cuidados com os pets.

Ainda, a Apata defende e realiza a castração de felinos e caninos, acreditando ser esta a forma de minimizar o crescimento desenfreado da população de animais de rua. 

“A Apata é um grupo de amigos que se juntou para fazer o bem pela causa animal”, afirma um dos voluntários, Evandro Laguião.

“A Apata é um grupo de amigos que se juntou para fazer o bem pela causa animal”, afirma Evandro Laguião. 

A entidade se mantém com doações da comunidade, campanhas de arrecadação de valores ao longo do ano e destinação de recursos do Poder Público, principalmente para castrações. A Apata não possui abrigo, os animais resgatados ficam em lares temporários dos voluntários até encontrar um novo dono. 

Por: Mateus Roncaglio