A música gaúcha sempre foi marcada pelas grandes apresentações onde um grande público se aglomerava nos salões de baile para dançar de forma alegre e descontraída. A pandemia impediu que esses eventos com grande público ocorressem, deixando o público carente de música e os próprios músicos, que sem o público, se viram sem o calor humano e principalmente a renda que os fãs lhes forneciam.

Para melhorar a situação, muitos artistas ou grupos tiveram que criar novas formas de interação com o público. A internet foi uma das ferramentas mais utilizadas pelos músicos, fato confirmado por Gilnei N. Ribeiro, violonista do Cobras do Teclado: “Sim houve um convite a partir das rádios (para as lives), dos interessados, daí começamos a pensar no repertório, mas não chegamos ensaiar porque estávamos longe um do outro”.

Live dos Cobras do Teclado (Foto: reprodução YouTube)

Assim, os músicos do grupo passaram a ter um canal de interação com público que gerava um engajamento interessante, fato que motivou a origem com a Radio Web “Chimarrão”: “A primeira (live), foram pagos só os custos para a gente se deslocar e a gente fez na parceria, porque estavam todos sentindo a pandemia. Na verdade, era para ter recebido cachê em uma, mas foi cancelada, devido não poder ter público, aí decidimos fazer uma em parceria com a Rádio Chimarrão, isso ano passado. Já esse ano todas as livres foram remuneradas ”.

“Sim houve um convite a partir das rádios (para as lives), dos interessados, daí começamos a pensar no repertório, mas não chegamos ensaiar porque estávamos longe um do outro”.

Gilnei Nascimento Ribeiro

Live do grupo Os Bertussi com a Radio Viva em Maio de 2020 (Foto: reprodução YouTube)

Outros músicos, como Gilney Bertussi, do tradicional grupo “Os Bertussi”, tentaram se reaproximar dos fãs por meio de lives com características mais acústicas em contraste com os bailes propriamente ditos, repletos de aparelhos modernos. “Nosso grupo fez apenas duas lives, intituladas ‘Oh de Casa’ e ‘Sangue de Gaúcho’. Não permiti que usassem bateria nem qualquer tipo de iluminação, com a intenção de ser uma apresentação campeira mesmo! ”. Isso atraiu o público, já que a geração do som era bem próxima ao que se usava pelo tio e o pai de Gilney, considerados os criadores desse tipo de música mais dançante e com construções melódicas que foram padronizadas pelas bandas que vieram depois deles.

Gilney Bertussi é líder do grupo Os Bertussi, que participaram de praticamente todos os acontecimentos envolvendo a musica fandangueira sulista. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo com o início da abertura dos shows os integrantes do Cobras do Teclado ainda mantem um programa de caráter mensal na programação da rádio e que pretendem continuar no pós-pandemia graças aos bons números de audiência. De fato, as relações com o digital parecem ser para sempre e o chamado “novo normal” é um ambiente com rotineiras apresentações on-line, gravadas ou ao vivo e o musico que não seguir esse ritmo ficará sem uma fatia considerável de público, que navega e anuncia pela internet.

Por João Trojan e Tobias Betin