Biscoito recheado, salgadinho, bolo de chocolate e refrigerante. Um “combo” dos sonhos para o lanche na hora do recreio das escolas de ensino fundamental. Esses alimentos, apesar de muito saborosos e atrativos aos olhos dos pequenos, prejudicam a saúde. Quando crianças, nossa alimentação é voltada para o crescimento de nossos ossos, pele, músculos e órgãos. É uma fase onde somos curiosos a descobrir as coisas ao nosso redor e gastamos energia com isso. Brincar, pular, aprender matemática e a ler e escrever são ações que exigem a ingestão de alimentos fontes de vitaminas e minerais. É  também nessa época da vida que as nossas ideias sobre o que ingerimos se formam e aprendemos a gostar ou não de certos alimentos. 

Os familiares e os profissionais que preparam o lanche nas escolas tem um papel singular nessa construção de sentidos e  promoverem uma alimentação saudável e balanceada para as crianças, tanto em casa como na escola.  A nutricionista Jane Bonamigo trabalha para a Prefeitura do município de Ernestina, e explica como deve ser essa introdução a uma alimentação correta logo nos primeiros anos da vida escolar. “O ideal é introduzir a educação alimentar de forma lúdica, atrativa, divertida e acessível. Pode-se conscientizar sobre a importância de ingerir alimentos nutritivos, incluindo frutas e legumes no dia a dia. Além do engajamento da família no estímulo à saúde alimentar. São partes da atividade educativa e são  fundamentais na formação dos alunos”. 

“O ideal é introduzir a educação alimentar de forma lúdica, atrativa, divertida e acessível”

Jane Bonamigo

A escola possui grande importância na formação dos hábitos alimentares dos estudantes, e a partir da preparação de lanches nutritivos e a variação e inclusão de alimentos no paladar das crianças, faz com que elas se acostumem com essa rotina de ver e sentir sabores de uma comida de verdade. “Em Ernestina trabalhamos com lanches de preparação nutritiva, tudo com o meu acompanhamento. Realizamos capacitação dos profissionais que manipulam os alimentos. A educação nutricional das escolas é fundamental, com a colaboração da equipe de professoras e orientações dos pais”, explica Jane.

Da direita para a esquerda, a nutricionista Jane Bonamigo em uma das escolas que fazem parte do programa de Aquisição de Alimentos saudáveis

Além das palavras da nutricionista, o que também aponta para a importância da educação alimentar na infância é um levantamento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2019. O estudo aponta uma estimativa de que 6,4 milhões de crianças tenham excesso de peso no Brasil e 3,1 milhões já evoluíram para obesidade.  

Esses números mostram a relevância de projetos e iniciativas nas escolas para que seja possível evitar doenças como diabetes ou hipertensão que podem aparecer ao longo da vida adulta.  Fatores genéticos e comportamentais podem estar associados ao alto índice, mas também existe a má supervisão do que é oferecido às crianças, seja nas escolas ou na própria casa,  que também pode influenciar negativamente no desenvolvimento alimentar. 

A nutricionista ainda ressalta que não há os tradicionais “barzinhos” nas escolas onde ela realiza projetos de orientação alimentar há mais de sete anos. “Isso faz com que as crianças não vejam alimentos ultraprocessados que normalmente são vendidos nesses espaços. Felizmente, a tentação de comer gordura e açúcar diminui”, diz Jane. 

A profissional conta com o apoio de produtores da agricultura familiar ernestinense, que ajudam nos projetos desenvolvidos por ela nas escolas e no Centro de Referência a Assistência Social (CRAS), como o Programa de Aquisição de Alimentos. Um deles é o jovem produtor rural Lucas da Costa. Nascido e criado no interior do município de Ernestina, ele trabalha com a família no campo, onde cultivam hortaliças e verduras.

Para Lucas, proporcionar alimentos saudáveis para as escolas é gratificante

Além disso, o agricultor faz entregas de frutas e verduras nas escolas que aderiram a esse programa. “Além de ser uma renda para mim, eu levo um produto de qualidade, sem agrotóxicos, direto da horta para a mesa do lanche das crianças”, conta ele. Há quatro anos, Lucas é parceiro desse projeto. “Me sinto grato e também feliz em poder ajudar essas crianças a terem uma alimentação de verdade na escola”, diz ele.

O Programa de Aquisição de Alimentos, é um projeto que visa oferecer maior qualidade nos alimentos da merenda escolar e incentivar a agricultura familiar a produzir esses alimentos, gerando uma economia local. Os produtores que participam deste projeto, como o Lucas, são devidamente cadastrados e ofertam à rede de ensino de Ernestina diversos produtos, como pães, bolachas caseiras, legumes, frutas, verduras, queijos, ovos e geléias. “O resultado do trabalho está sendo compensado com qualidade nutricional nos cardápios escolares”, finaliza a nutricionista.

Por Eduarda Lazzari e Isamara Baumgratz