Ao contrário do que se pode pensar, a obesidade é uma doença. Mais do que isso, ela é uma doença crônica definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. Além disso, a obesidade é um fator de risco muito alto para o desenvolvimento de outras doenças como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. 

Segundo a nutricionista Caroline Danner existem várias causas possíveis para a obesidade. “A genética é apenas um dos fatores que pode desencadear a obesidade. Porém, não é o único fator e não é o fator determinante. O que temos que deixar claro sempre é que ninguém escolhe ter obesidade. A etiologia da obesidade é complexa e multifatorial, resultando da interação de genes, ambiente, estilos de vida e fatores emocionais”. Dentre a genética, também há questões hormonais, excesso de alimentos ricos em gorduras e açúcares ou ultraprocessados, sedentarismo, medicamentos, puberdade, gravidez e transtornos psicológicos.

Nutricionista Caroline Danner

Em uma pesquisa realizada nas 27 capitais dos estados brasileiros, feita em 2019 pela Vigitel, estimou-se que a frequência de excesso de peso foi de 55,4%, sendo maior entre homens, atingindo mais de 57%, do que entre mulheres, que chega a marca de 53,9%. Já em seu consultório, localizado na cidade de Bento Gonçalves/RS, Caroline recebe cerca de 78% de mulheres e 22% homens, com faixa etária entre 20 a 40 anos, em média. 

A nutricionista, que é especialista em Obesidade e pós-graduanda em nutrição clínica, atualmente destina os seus atendimentos exclusivamente para casos de emagrecimento, obesidade, pré e pós cirurgia bariátrica. Ela escolheu seguir nesta área após o seu processo de emagrecimento. 

Caroline já fez parte dos números de pessoas do Brasil com excesso de peso. Segundo o seu relato, perdeu 42 quilos e como obesidade não tem cura, se considera tratada, mas sempre terá cuidados necessários diários que envolvem esta doença crônica. “Minha missão de vida é ajudar as pessoas a perceberem que a obesidade é uma doença e que ela pode ser tratada com métodos que não são tão invasivos na vida dela. Uma doença que tem tratamento sim, apesar de não ter cura”.

Em seu consultório, Caroline defende a nutrição simplificada. “Com tantas informações nesta área, tudo vira uma bola de neve e isso faz com que a nutrição se torne algo difícil. Então todo mundo procura um nutricionista já achando que vai precisar de dieta restritiva, e muito pelo contrário. A gente precisa se adaptar e entender as próprias necessidades. É isso que eu priorizo nas consultas, as preferências do paciente para que o tratamento seja eficaz”, comenta. 

Sobre dietas restritivas e, consequentemente, “efeito sanfona”, Caroline relata que estão diretamente ligados à obesidade e esse é um dos principais motivos por ela defender a reeducação alimentar. “Toda dieta restritiva tem um começo e fim, e é nesse fim que a gente tem os percalços, que a gente aumenta de peso e desenvolve malefícios para a saúde. Eu defendo a dieta que vai ser levada pra vida inteira, que a pessoa pode seguir se ela tiver 20, 30, 40 anos, e que ela aprenda a gostar de alimentos saudáveis e sinta suas necessidades, que ela aprenda a comer”.

“Minha missão de vida é ajudar as pessoas a perceberem que a obesidade é uma doença e que ela pode ser tratada com métodos que não são tão invasivos na vida dela. Uma doença que tem tratamento sim, apesar de não ter cura”

Nutricionista Caroline Danner

Por não obter resultados durante três meses de acompanhamento nutricional mensal, Thalia Raimundi procurou a nutricionista Caroline Danner. “Procurei ela por ter uma história completamente diferente de todas as outras que já fui, ela passou pelo processo de emagrecimento, sabia que ela se colocaria no meu lugar. Ela entende o que estou passando, procurei ela como a minha última esperança”. 

Thalia durante o tratamento da obesidade

A sua última esperança levou Thalia a perder 20 quilos desde março de 2021. O seu peso era de 110 kg , aproximadamente, e, após seis meses de tratamento, está pesando 90 kg. “Quando iniciei o tratamento, não me considerava obesa, nem que precisava de tratamento para obesidade, estava “gordinha”, até por ser uma pessoa alta, não aparentava muito, porém o meu IMC já estava classificado como obesidade grau II, e estava muito perto da obesidade mórbida”, relembra Thalia. 

A paciente de Caroline, não chegou a desenvolver doenças em decorrência da obesidade, mas foi classificada como pré-diabética, teve a piora dos sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), além da depressão e ansiedade também terem se agravado. 

Thalia após emagrecer 20 quilos

Em um tratamento de obesidade o trabalho pode ser feito por várias mãos. Muitas profissões se encontram como médico com especialização em endocrinologia, psiquiatras, nutricionistas e psicólogos. No caso de Thalia, ela foi orientada por Caroline a buscar auxílio psicológico e aliar-se com o nutricional. “Eu me alimentava como forma de descontar meus sentimentos e não por estar com fome. Assim que comecei o tratamento com psicóloga fui diagnosticada com compulsão e transtorno alimentar. O acompanhamento psicológico foi de extrema importância para saber diferenciar o que era fome de fato”. 

Com 20 quilos a menos na balança, Thalia não se considera mais a mesma de seis meses atrás. “Sinto que ainda não estou 100%, estou formando quem eu quero ser. Desafios surgem a cada consulta, porém eu sei que sou capaz de enfrentar, não achei que seria possível chegar em -5 kg, e estou em menos 20 kg. Todos do meu convívio costumam dizer que sou outra pessoa e realmente sou, tenho autoestima, consigo me olhar no espelho, não tenho medo de julgamentos, me tornei uma pessoa muito mais forte”. 

Vinicius Rodrigues, de 20 anos, que também recebeu acompanhamento nutricional de Caroline, fala como a visão da obesidade é distorcida, fazendo com que as pessoas busquem ajuda quando já estão em um nível avançado da doença. “Na minha cabeça, obesas eram aquelas pessoas com 150 a 200 quilos, não eu”, relata. Para Vinicius, a força de vontade e o acompanhamento psicológico ajudam no processo de emagrecimento, ainda seguindo o plano da nutricionista ele afirma que ter buscado auxílio profissional mudou sua vida e que faria tudo novamente em prol de uma melhor condição física. 

Vinicius após o tratamento

Ao chegar ao fim do seu tratamento, Vinicius perdeu mais de 20 quilos, indo de 95 kg a 72 kg. “Hoje eu me sinto bem, me sinto feliz. Agradeço demais a Carol pelo auxílio que ela me deu”, conclui.

Por Beatriz Fiorio e Beatriz Menezes.