O movimento vegano/vegetariano está em uma crescente em muitos lugares do mundo e o Brasil é um deles, o censo realizado pelo Mapa Veg conta com mais de 31 mil cadastros de todos os estados brasileiros e está dividido em pessoas vegetarianas, veganas ou simpatizantes. Djênifer Drehmer é uma delas, a Analista de Sistemas aderiu ao vegetarianismo quatro anos atrás por amor aos animais, e após assistir a documentários e aprender e pesquisar mais sobre o assunto descobriu que o movimento vegano é também uma luta por mudanças ambientais e sociais, além de ser uma alimentação mais saudável para o organismo humano.

“Acredito que ser vegano é sobre fazer escolhas sustentáveis todos os dias. Antes eu não me preocupava em pensar de onde vinha o alimento que estava consumindo, ou como eram produzidos os produtos que eu usava.”

Djênifer Drehmer
O censo do Mapa Veg é realizado por meio de cadastros dos usuários (Gráfico: Júlia Kopp)

Atualmente Djênifer não come carne, mas diminuiu o consumo de outros derivados, como leite e ovos.

Djênifer é vegetariana tem quatro anos (Reprodução: Arquivo Pessoal)

“Acredito que ser vegano é sobre fazer escolhas sustentáveis todos os dias. Antes eu não me preocupava em pensar de onde vinha o alimento que estava consumindo, ou como eram produzidos os produtos que eu usava. Hoje eu tenho uma forma totalmente diferente de enxergar os alimentos e também consumo uma variedade muito maior do que antes. Quem não faz parte do movimento pode achar que ficamos muito limitados às nossas escolhas, mas a verdade é que os legumes, frutas e verduras acabam assumindo um papel muito mais especial, além de que sabemos como as nossas escolhas impactam positivamente os animais, os pequenos produtores, o ambiente, etc.”

São Paulo é o estado com mais pessoas cadastradas no censo, Roraima é o estado com menos cadastros (Gráfico: Júlia Kopp)

Veganismo e a exploração animal

A luta contra o especismo e a exploração animal segue sendo uns dos principais fatores pelos quais as pessoas, assim como Djênifer, escolhem ser veganas ou vegetarianas. A nutricionista vegetariana Talia Lang Meira diz que percebe uma crescente de pacientes diminuindo o consumo de carne por causa do amor aos animais, ela também afirma que vê um aumento de interesse das pessoas por cosméticos não testados em animais e veganos, e ela está certa. Só no estado de São Paulo houve um aumento de 350% nas buscas do Google por “marcas que testam em animais” entre o período de 18 a 25 de abril. A crescente das pesquisas foi na mesma época em que o curta animado “Salve o Ralph” foi lançado, a animação mostra a vida de Ralph, um coelho que tem como trabalho ser cobaia de testes de cosméticos e viralizou em muitos cantos do Brasil. 

É importante ressaltar que o movimento vegano tem como princípio estar dentro do praticável, isso quer dizer que o veganismo não é antivacina. A vacina contra a covid-19 foi testada em animais, por exemplo, mas como se diz no movimento, não se pode lutar pelo movimento vegano se você estiver morto. 

Veganismo e a luta ambiental e social

Além da exploração animal, a luta ambiental e social também são umas das principais pautas do movimento. A indústria da carne cria bovinos para o abate e o resultado disso, atualmente, é 63% da área desmatada da Amazônia só para plantar pasto, quem realizou a pesquisa foi a fundação alemã Heinrich-Böll, a organização ambientalista Bund e a edição alemã do jornal francês Le Monde Diplomatique.

“A produção industrial de carne não é apenas responsável pela precariedade das condições de trabalho, mas também afasta as pessoas de suas terras, provoca o desmatamento, o uso de pesticidas e a perda de biodiversidade.”

Barbara Unmüssig, presidente da Fundação Heinrich Böll.

Barbara Unmüssig, presidente da Fundação Heinrich Böll explica as consequências da indústria da carne “a produção industrial de carne não é apenas responsável pela precariedade das condições de trabalho, mas também afasta as pessoas de suas terras, provoca o desmatamento, o uso de pesticidas e a perda de biodiversidade – e é uma das principais causas da crise climática”. Indígenas, comunidades e pequenos produtores são afetados negativamente por essa indústria todos os dias. 

A quantidade de água gasta para produzir 1kg de carne também é outra consequência dessa indústria que se beneficia do sofrimento animal. Atualmente são gastos 15.415 litros de água a cada 1kg de carne bovina, um brasileiro consome em média diariamente apenas 200 litros, colocando na balança, para produzir 1kg de carne gasta-se 1298% a mais do que um brasileiro consome diariamente.

1kg de carne gasta 1298% a mais de água do que um brasileiro gasta diariamente. (Gráfico: Júlia Kopp)

Alimentação vegana na infância

A Professora Denise Scótolo é mãe da Lis, ela diz “minha bebê segue uma dieta vegetariana estrita (vegana), mas fico tranquila em relação a ela porque eu a amamento muito. Ela recebe meu leite, além de leguminosas, cereais e leites vegetais eventualmente.”

Quando a Denise nem pensava em ficar grávida, visitou a “Morada da Floresta” e conheceu alguns produtos, entre plantas, minhocários, copinho coletor menstrual, fraldas ecológicas, etc. Algum tempo depois, quando descobriu que estava grávida, tomou a decisão de como vestiria a filha, inclusive em relação às fraldas. Decidiu usar fraldas de pano, pesquisou e foi atrás, optou por comprar fraldas de diversos materiais e recheios diferentes.

“Apesar da Lis ter nascido prematura, ela segue se desenvolvendo saudavelmente, tamanho e peso adequados para a idade. É esperta, alegre, feliz, carinhosa, não apresenta nenhuma deficiência, seja motora, neurológica ou intelectual.”

– Denise Scótolo

Denise diz que Lis é vegana desde a barriga, nunca comeu nada de bichos, nem carne, nem leite ou ovos. A professora fez um acompanhamento com uma nutricionista durante a gestação, mas pretende levar a filha a um nutrólogo quando desmamar, assim Lis poderá ter um acompanhamento desde a infância.

“Apesar da Lis ter nascido prematura, ela segue se desenvolvendo saudavelmente, tamanho e peso adequados para a idade, é esperta, alegre, feliz, carinhosa, não apresenta nenhuma deficiência, seja motora, neurológica ou intelectual, já fala algumas palavras com um ano e três meses, e acredito que não terá nenhum déficit nutricional devido ao veganismo.”

Confira o curta animado “Salve o Ralph”:

O curta animado foi produzido por Spencer Susser; Jeff Vespa; Lisa Arianna (Reprodução: The Humane Society for United States)

Por Júlia Kopp e Luana Signor