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Acadêmico do 8º e último semestre do curso de nutrição da Universidade de Passo Fundo, João Oliveira, que já atua na área através de estágios curriculares, esclarece o assunto acerca de dietas restritas e os riscos apresentados pela alimentação inadequada.

João Oliveira está no último semestre do curso de Nutrição da UPF. | Foto: Arquivo Pessoal

O futuro nutricionista começa explicando que, antes de aderir a uma dieta específica, o indivíduo deve ter o seu objetivo definido: ‘Ser saudável ou fitness?’. Segundo João, os resultados estéticos, por mais satisfatórios que pareçam, não significa necessariamente que sejam saudáveis. “Os sintomas e alterações em exames geralmente são as últimas coisas que aparecem quando uma deficiência/disfunção está presente há muito tempo”, explica.

A adoção de uma dieta restrita, que consiste na ausência de vitaminas e frutas, por exemplo, pode causar indícios desfavoráveis a uma pessoa, chegando até mesmo a afetar a sua saúde física e mental.

“Os alimentos integrais, frutas e vegetais contém vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes que ajudam a proteger o corpo e permitem que ele funcione adequadamente. Você ainda pode funcionar sem eles por um tempo, mas os problemas acabam se manifestando de outras formas, gerando ansiedade, depressão, falta de atenção,  baixa libido, diabetes, doenças cardíacas”, detalha João.

Jejum intermitente

João explica que, diversos estudos mostram os benefícios do jejum (aumento da sensibilidade à insulina, perfil lipídico, perda de peso, redução da pressão arterial), entretanto, ainda não se sabe se é por causa do jejum ou apenas pela redução de peso/gordura corporal. “Esse estilo de dieta não promove maior perda de peso/gordura comparado a restrição calórica contínua (dieta tradicional)”, afirma.

No entanto, em casos específicos, podem ser benéficos. “Pessoas que preferem consumir um menor número de refeições e maior volume nessas, indivíduos com uma rotina mais corrida que preferem não fazer muitas pausas para realizar refeições, preferindo calorias em menor período do dia, ou pessoas que não sentem fome no início do dia para realizar o café da manhã”, salienta.

João pontua ainda, que é importante observar  a grande variedade de estudos sobre o assunto que mostra efeitos benéficos da restrição calórica no processo de envelhecimento, dessa maneira, é possível que pelo menos uma parte dos efeitos observados em estudos sobre jejum intermitente ocorram devido ao déficit calórico, e não necessariamente ao jejum prolongado. 

Redes Sociais 

Os efeitos imediatos, quase mágicos, prometidos através de produtos e dietas que são divulgadas nas redes sociais são motivo de importante alerta para pacientes e profissionais da área da saúde.

“‘A blogueira falou que está funcionando com ela’, entenda, ela está recebendo dinheiro para falar sobre o produto. Você comprou algum produto dizendo que era excelente e se frustrou porque ele não cumpriu o que prometia? Se você é uma pessoa que se encontra acima do peso, não tem uma alimentação saudável, e é sedentário, você tem certeza que consumir algum produto desses irá te fazer perder peso por algum milagre?”, alerta João.

O acadêmico ressalta ainda, que emagrecer não é sobre perder peso, mas sobre perder hábitos e substituí-los por outros melhores. 

“Ter uma alimentação ruim, dormir pouco, passar o dia inteiro sentado e não lidar com os problemas na sua cabeça, é como comprar tudo no crédito. Uma hora a conta chega. O autocuidado é uma forma de respeito próprio. Se você realmente se aceita e ama seu corpo, cuide dele”, destaca.

Recomendações

“Jejum intermitente? Low carb? Dieta sem glúten? Qual é a melhor estratégia? Antes de tudo, entenda: o processo de emagrecimento só acontece através de um fator, você consumir menos calorias do que você gasta, conhecido como balanço energético negativo ou déficit calórico. Procure um nutricionista de sua confiança!”, recomenda.

De acordo com o profissional, todas essas condições têm relação com o estilo de vida de cada um e podem se desenvolver ou ser amenizadas a partir das escolhas e ações de cada indivíduo. 

“A maneira como comemos, nos locomovemos, pensamos afetam nossa saúde, de forma positiva ou negativa, e por consequência, o desenvolvimento pessoal em todas as áreas da nossa vida”, conclui.

Por: Ana Caroline Haubert