“The book is on the table”. Essa é uma das frases mais comuns que muitas pessoas dizem, quando são questionadas se sabem falar inglês. Mas se olharmos ao nosso redor, não é de hoje que o inglês é uma língua dominante no Brasil, em termos de palavras e expressões  que foram introduzidas no dia a dia. Diversas pesquisas em áreas como linguística aplicada, psicolinguistica, neurociência e neuropedagogia divulgam resultados favoráveis sobre o aprendizado de um novo idioma na vida dos pequenos.  

A professora do curso de Letras da Universidade de Passo Fundo, Luciana Crestani, é uma das mães que acredita na importância da filha ter começado a estudar inglês aos dois anos e meio. “Está hoje com nove anos e segue na escola de idiomas. Já formula vários enunciados, compreende e consegue se comunicar em língua inglesa”, comenta a mãe da aluna.

Daniela Teston sempre leva o inglês as crianças de forma divertida

Saber uma segunda língua estava antigamente associada a pessoas com status, à cultura ou significava apenas uma disciplina a mais no currículo escolar do antigo 2º grau. Hoje em dia, é uma necessidade para expandir conhecimento sobre os fatos que acontecem no mundo, entender e elaborar pesquisas acadêmicas e conhecer pessoas através das novas tecnologias. A professora de língua inglesa Daniela Teston ensina o idioma do Tio Sam  há doze anos, e confirma que esses benefícios são percebidos através dos anos em seus alunos. “Aprender Inglês desde cedo desperta na criança esse interesse e a paixão por uma língua estrangeira, para que na vida adulta ela tenha mais oportunidades”, diz.

Daniela ainda ressalta que quanto mais consolidada está a língua materna, mais difícil é adquirir uma segunda língua. Com  recursos como  atividades curtas, divertidas e variadas podem ser  desenvolvidas a expressão oral, percepção auditiva e também a coordenação motora das crianças. “Aprender um segundo idioma desde cedo não interfere no aprendizado da língua materna, quando as atividades respeitam as especificidades da faixa etária das crianças, o interessante é desenvolver as duas línguas ao mesmo tempo”, comenta a professora. 

Luciane acredita que é preciso falar mais sobre como uma língua estrangeira pode ser introduzida na primeira infância

O senso comum acredita que aprender um outro idioma logo na primeira infância não é o mais adequado. Mas, segundo a doutora em Estudos da Linguagem/Linguística e professora de Língua Inglesa do curso de Letras da UPF, Luciane Sturm, muitas vezes não se discute toda a complexidade que envolve o ensino e a aprendizagem desse idioma. Mais recentemente chamado de “idioma adicional”, sendo a língua inglesa aquela com maior procura.

“Na perspectiva da neurociência, o indivíduo que é exposto ao aprendizado de mais de um idioma, apresenta diferenças qualitativas importantes no cérebro. As pesquisas, realizadas em centros de referência em aquisição da linguagem e bilinguismo, evidenciam que o cérebro de uma pessoa bilíngue tem ampliado as suas capacidades cognitivas”, diz a especialista.

 O desempenho das crianças melhora. Além do raciocínio, criatividade, atenção e memória, funções essenciais para o desenvolvimento dos pensamentos, expressão das emoções e modo de agir dos pequenos. “A criança aumentará seu repertório linguístico, suas capacidades de expressão serão ampliadas, ou seja, as formas de expressar suas opiniões, de questionar e de entender o outro, possibilitando melhores relacionamentos interpessoais”, continua Luciane. 

“A criança aumentará seu repertório linguístico, capacidade de expressar suas opiniões, questionar e entender o outro, possibilitando melhores relacionamento interpessoais”

luciane sturm

Para fazer isso acontecer, os melhores métodos para a compreensão de uma língua estrangeira no cérebro das crianças, segundo a doutora em linguística, não existem. Se fala em princípios essenciais como base para planejar as aulas. Além disso, o professor tem o papel de estar sempre atualizado, com preparações de materiais didáticos. “Com os conhecimentos aliados aos princípios da ludicidade, interculturalidade, interação, ensino contextualizado, o professor tem condições de preparar aulas que visem um aprendizado significativo. Sem desconsiderar a importância da tecnologia nesse contexto, o professor bem formado e a aula presencial são fundamentais para  que o aprendizado se realize com sucesso”, explica a professora. 

Aprender uma segunda língua na infância nunca atrapalha, pelo contrário, favorece muito. O processo de aprendizagem é complexo e existem armadilhas em que os pais podem cair na hora de matricular seus filhos. “Programas milagrosos, materiais mágicos, o certo é que para o aprendizado ser significativo para a criança, vários aspectos devem ser considerados e analisados. O mais importante, no meu ponto de vista, é a formação adequada do professor, uma pessoa com propriedade para ensinar”, diz Luciane. O educador que atua com crianças precisa ter conhecimentos específicos e qualificados para que o ensino bilíngue seja aprendido pela criança.

Por também ser educadora, Luciana gostaria de que a filha fosse fluente em pelo menos duas línguas. “Comunicar-se em diferentes línguas abre muitas portas, seja nas atividades de lazer  como viagens e games,  ou na área de estudo, leituras, pesquisas, intercâmbios ou de trabalho”, comenta. Além das aulas na escola de inglês, a aluna baixa aplicativos de ensino de idiomas e é curiosa em relação a outras línguas. “Ela adora inglês, diz que precisamos viajar pelo mundo quando ela for maior”, finaliza a mãe.

Por Eduarda Lazzari e Isamara Baumgratz