“Nunca peça desculpas a uma multidão sedenta de sangue”, diria o psicólogo canadense, Jordan Peterson. Essa frase representa bem um ato que está tornando-se cada vez mais presente em nossa sociedade: a perseguição contra quem pensa diferente, principalmente contra os conservadores.

O advento das redes sociais trouxe muitos benefícios para a sociedade, como a instantaneidade para se informar e a facilidade para se comunicar com os outros. Porém, ao mesmo tempo, isso veio acompanhado de malefícios, como a perseguição e o cancelamento de pessoas.

A cultura do cancelamento é uma prática em que determinados grupos nas redes sociais excluem pessoas, geralmente públicas, por comentários ou posicionamentos políticos que são considerados errados – na visão dessas pessoas. Então o cancelamento seria como uma punição por comentários e posicionamentos.

A premissa desses grupos é querer o desenvolvimento e o bem da sociedade, e para isso estão excluindo e perseguindo quem pensa diferente. Um caso recente é o do jogador de vôlei, Maurício Souza, que foi cancelado após criticar um desenho em que o filho do Superman é bissexual. Patrocinadores do Minas Tênis Clube, como a Fiat, pressionaram o clube a afastar o jogador por conta desse posicionamento.

Os canceladores foram os primeiros a apontar os erros do jogador. Porém, algumas dessas pessoas mostraram uma hipocrisia, como o apresentador Felipe Andreoli, por exemplo, que já fez comentários insultando homossexuais e mulheres no Twitter.

Por outro lado, há quem o apoie. O jogador passou de aproximadamente 200 mil seguidores para quase 3 milhões no Instagram. Inclusive, a deputada Bia Kicis protocolou um projeto de lei, com o nome dele, para impedir a punição de pessoas por seus pensamentos e opiniões, criminalizando o cancelamento ilegítimo.

Os seguidores do jogador multiplicaram em quase 15 vezes.

Na visão de Márcio Guerra, ativista conservador e fundador do Instituto Gays Conservadores do Brasil, isso acontece porque o Estado está aparelhado pela hegemonia progressista e, para estes, o correto é apenas a forma deles verem e pensarem o mundo. Ele afirma que “as ferramentas deles e dessa perseguição é a frase clássica, recomendação soviética: chame-os do que és”.

“Maurício teve sua vida muito prejudicada por expor uma simples opinião.”

Thiago Lagares

O jornalista e influenciador, Thiago Lagares, diz que vivemos em uma inquisição moderna, onde o centro da questão não é sobre inclusão e tolerância à diversidade, mas sim sobre a ditadura de opinião. Para ele, divergir desse pensamento progressista, que está incorporado na nossa cultura moderna, é o mesmo que ser contra a verdade estabelecida.

Esse cerceamento na internet não parte só de determinados grupos. Ele também é feito pelas próprias redes, como o Facebook e o Twitter, as chamadas Big Techs que, por exemplo, suspenderam as contas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, por supostamente estar ligado aos ataques ao Capitólio no começo do ano. Com isso, Trump decidiu criar sua própria rede, a ‘Truth Social’, que será lançada ao público em 2022.

Por um lado, Trump, na época presidente da maior economia do mundo, é calado, mesmo sem provas concretas das acusações. Por outro, líderes do Talibã, que atualmente tomaram o poder no Afeganistão e perseguem opositores e mulheres, tem liberdade nessas mesmas redes sociais.

“Sofremos desde o shadow ban, que é a ocultação de nossas páginas nas ferramentas de busca ou diminuição de alcance, até a censura ao denunciar ataques que sofremos por terceiros.”

Márcio Guerra

Para Márcio, a melhor forma de lidar com isso é ser coerente com seus princípios, burlar o algoritmo das redes não utilizando termos polêmicos e, em relação às pessoas, bloquear e evitar manter conversas.

Já Thiago conta que tem restrições promovidas pelas redes sociais e recebe mensagens que tentam intimida-lo e cercear seu trabalho. Para lidar com esse tipo de situação, ele diz que procura mostrar aos críticos que as acusações não tem legitimidade e que busca mostrar o outro lado da informação, para contextualizar e derrubar narrativas enganosas.

Por: Felipe Troian