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Quando Gabriela foi nomeada coordenadora de Comunicação e Marketing em uma instituição de ensino, era a única mulher em uma equipe de cinco pessoas, em 2016. Ela sofreu pressões e por muitas vezes foi reprimida, mas ainda segue liderando a equipe e buscando cada vez mais a igualdade de gênero em cargos de liderança. 

Gabriela é o nome que utilizaremos para a jornalista e especialista em comunicação estratégica, que não quis se identificar. A jornalista, assim como muitas outras profissões, sofre na pele o preconceito com questões relacionadas ao gênero.

Conforme o Censo de 2010, as mulheres representam 58% dos jornalistas de 20 a 29 anos, são 64% dos estudantes dos cursos de jornalismo e também são maioria (63%) entre os profissionais que detêm títulos de especialização, mestrado e doutorado.

No entanto, ainda conforme o Censo, o público feminino recebe cerca de 19% a menos do que seus colegas homens e a maioria dos empregadores da área (62%) são do gênero masculino. 

Comprovando ainda mais o Censo, as mulheres também não costumam estar nos conselhos editoriais e nos cargos de editor-chefe, permanecendo nos níveis de gerência média em jornais.

De acordo com levantamento do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA-UERJ), elas representam menos de 28% dos colunistas de jornais como O Globo, Folha e Estadão. 

É preciso também união

Laíssa também participa de ações onde são enaltecidas as questões de equidade de gênero no ambiente de trabalho. Créditos: Arquivo pessoal

A jornalista e mestre em Ciências Humanas, Laíssa França, pontua que pelo simples fato de ser mulher ela já foi reprimida diversas vezes.

“Já sofri preconceito e tive minha competência reduzida por estar em um ambiente com mais homens. É inadmissível todas as situações que uma mulher vive no seu dia-a-dia”, ressalta.

Ainda tem muito a conquistar. Laíssa destaca que é um longo caminho a se percorrer para que a mulher seja valorizada pelo seu conhecimento. “Estamos unidas mais do que nunca. A própria comunicação divulga os inúmeros casos de assédios sofrido por jornalistas mulheres, é hora de dar um basta neste tipo de notícia”, destaca.

Nos últimos dias mais um caso veio à tona, quando uma jornalista italiana foi assediada ao vivo por um torcedor após uma partida da Série A do futebol italiano. Um homem passou a mão nas nádegas da italiana. Ao vivo a jornalista disse: “Você não pode fazer isso, lamento”.

“Aquilo que aconteceu comigo é inaceitável e não pode se repetir. Foi transmitido ao vivo porque eu estava trabalhando, mas, infelizmente, tais assédios ocorrem com outras mulheres sem que ninguém saiba”, declarou a repórter.

“É inadmissível todas as situações que uma mulher vive no seu dia-a-dia”, destaca a jornalista Laíssa.

A prova evidente

Uma pesquisa inédita da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Gênero & Número apontou para um sério problema dentro das redações dos jornais de grandes veículos de imprensa no Brasil: as desigualdades de gênero.

De acordo com a pesquisa, 64% das jornalistas já sofreram abuso de poder ou autoridade de chefes ou fontes, 92,3% afirmaram já ter ouvido piadas machistas em seu ambiente de trabalho e 70,4% já receberam cantadas que as deixaram desconfortáveis no exercício da profissão. Ainda, das jornalistas que responderam, 83,6% já sofreram algum tipo de violência psicológica nas redações.

O questionário para a pesquisa foi realizado entre junho e agosto de 2017 e foram obtidas respostas válidas de 477 mulheres que atuam em 271 veículos diferentes.

Outro estudo ponderou que a cobertura jornalística na América Latina é fundamentalmente centrada nos homens e as mulheres são muito mais frequentemente alocadas em notícias relacionadas à família, beleza e cosméticos do que à economia ou política.

Por: Mateus Roncaglio