usada em 22/01/2020

A pandemia causou diversos transtornos em todas as áreas. Uma das afetadas foi a indústria. Empresários, desde o início de 2020, relatam dificuldades em encontrar insumos, para a produção. O problema está no estado, conforme pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande Do Sul (FIERGS)

Por algum tempo, houve sinais de recuperação do setor, porém o problema ainda persiste. 80,1% dos empresários que responderam à pesquisa acreditam na normalização até o fim de 2022, desses os 63,8% mais otimistas, acreditam na normalização ainda no primeiro semestre.

            Na pesquisa, 82,1% estão com dificuldades em importar matéria prima e insumos no mercado externo. Esse problema está afetando as indústrias aqui de passo fundo também. Conversamos com quatro empresas têxteis aqui de Passo Fundo, e três relataram que estão com dificuldade em conseguir insumos que vem do mercado externo. O problema persiste desde março de 2020, e não foi solucionado completamente.

A Katcha Kuorum, indústria bastante conhecida na cidade informa que não está tendo problemas, então não se encaixa no dado. A empresa Colbeck informa que está com dificuldade em conseguir plástico e papel para a máquina de corte. Trabalham com os produtos em estoque e insumos, com uma programação de seis meses. Então informa que teve alguma dificuldade, mas não foi tão grande quanto o esperado. O item de maior dificuldade é o brim profissional, que eles utilizam para a produção de calças. Ele acabou ficando com uma entrega em função da falta do algodão, que é produzido no Brasil, chegando a 90 dias o prazo médio de entrega, baixou para 60 e hoje o prazo de entrega está entre 30 e 40 dias. A forma encontrada de driblar o problema foi buscar apoio em outras distribuidoras, porém com um custo a mais de 20% a 25%. Devido a isso, o reajuste de valores e diminuição da margem do lucro foi necessária.

Na Manofatto, empresa têxtil, a dificuldade na importação está nos fios da China, que é o maior mercado. Houve diminuição do mix de produtos, faltando opções para compra do tecido, junto com o aumento de preço. Para driblar o problema, buscaram entender o novo consumidor e criaram uma variedade de produtos com as matérias primas oferecidas hoje, fazendo um aproveitamento de forma sustentável e consciente, utilizando o estoque já existente e a nova matéria prima e flexibilizando a produção, podendo alterar o produto conforme a demanda. Na SullyVest, conhecida empresa de fabricação de uniformes, está com o mesmo problema da Colbeck, que é a dificuldade no algodão para a produção do Brim 100% algodão. O problema está desde o início da pandemia, que não conseguem comprar, sem que haja uma programação média de 3 meses de antecedência. Contam com a previsão de normalização no primeiro semestre de 2022. As opções encontradas para driblar o problema estão reajuste de valores e reduzir a margem de lucro. O brim, desde o ano passado até agora teve um aumento de quase 100% do valor dos demais produtos de 50%.

Por Fernanda Machado e Adenilson Gois