Qual é a profissão que você mais confia hoje? E qual é a menos digna de confiança? Pensando nessas perguntas o Instituto Ipsos realizou uma pesquisa mundial que divulga quais são as profissões de maior e menor credibilidade diante da sociedade. O Índice de Confiabilidade Global, relatou o nível de confiança concedido a muitos profissionais.

A profissão de maior credibilidade mundial são os médicos. É um dado justificável devido a pandemia, que essa profissão tornou protagonista. Globalmente três profissões se destacam como as menos prováveis de serem consideradas confiáveis: ministros de governo, publicitários e políticos.

No Brasil o cenário é diferente. Aqui os detentores de maior credibilidade são os professores, empatado com os cientistas. Em segundo lugar estão os médicos e em terceiro lugar, mesmo com uma porcentagem bem menor que a do segundo lugar, está o cidadão comum, no caso amigos e conhecidos. Os políticos em geral permanecem ocupando os últimos lugares, configurando os menos confiáveis.

A pesquisa foi realizada em 28 países e desses Brasil e Chile são os que mais confiam em professores. De todas as profissões citadas, entendemos e sabemos de suas relevâncias. Porém na pesquisa há dados das profissões menos confiáveis, entre elas estão, em uma lista de 18 profissões, as cinco profissões mundialmente menos confiáveis estão: políticos, ministros do governo, publicitários, executivos, banqueiros e jornalistas. Os dois últimos empatados.

Neste gráfico mostra as profissões mais e menos confiáveis aqui no Brasil.

No Brasil, as profissões menos confiáveis estão: políticos, ministros do governo, banqueiros, apresentador de jornal da TV e os policiais. Novamente a categoria do jornalismo aparece nessa pequena lista nas últimas posições. Mas porque essa profissão tão importante responsável por informar a sociedade, está nessas posições?

Conforme o jornalista, Leandro Zanotto, a credibilidade do jornalista é a coisa mais importante desde que a profissão foi inventada. Pois o principal papel do jornalista é falar a verdade, seja por vias online, impressas ou fonográficas. “Quanto mais você dá uma notícia verdadeira, pra vida das pessoas, que muda a vida das pessoas, mais você ganha credibilidade com elas”, salienta Zanotto.

Conforme o Digital News Report do projeto Trust in News no Instituto Reuters, para recuperar a confiança no jornalismo não existe uma fórmula mágica. Os pesquisadores do instituto investigaram a situação da confiança na imprensa em diversos países, incluindo o Brasil. Uma das conclusões é de que não há um único problema, mas sim desafios múltiplos que envolvem a oferta e a procura por informações.

Os grupos estudados e eram adultos de idades e hábitos diferentes, e com a procura por informações distintas também. As notícias nas plataformas digitais foram vistas pelos entrevistados como menos confiáveis, porém admitem que é mais conveniente se informar por meio das redes. Isso mostra que as marcas tradicionais estão em vantagem aos novos meios. A vantagem é explicada na confiança associada, pelo público, em relação à reputação do veículo.

“Quanto mais você dá uma notícia verdadeira, pra vida das pessoas, que muda a vida das pessoas, mais você ganha credibilidade com elas”

Os pesquisadores concluíram que nos países a confiança está geralmente associada a impressões pouco precisas de identidade e marca. Então as práticas adotadas na produção de conteúdo e os padrões editoriais não têm influência.  Conforme o principal autor do estudo, Benjamin Toff a confiança está associado à familiaridade com a marca, sua reputação se gosta ou não dela. Assim a marca pode simbolizar confiança, mas também desconfiança.

O estudo também constatou que o trabalho de jornalistas individuais é bem menos reconhecido que o dos apresentadores, sobretudo daqueles que adotam posições mais extremistas. Zanotto acredita que o futuro do jornalista está em sempre falar a verdade, na procura da real informação, do fato realmente apurado e esquecer do acho. Pois no jornalismo ou você tem certeza ou não. “As pessoas sabem, quando eu quiser realmente ver uma informação verdadeira, eu vou buscar ‘tal’ veículo de comunicação porque esse veículo fala a verdade, ou seja, ela nos dá credibilidade”, conclui Zanotto.

Por Fernanda Machado e Adenilson Gois