Segundo pesquisa Datafolha, 51% da população não acha que a operação vai reduzir os desvios de dinheiro público

De acordo com pesquisa do Datafolha, mais da metade da população brasileira vem acompanhando com descrença nos últimos dias o desencadeamento da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve. Prova disso é o resultado da pesquisa Datafolha, que destaca o baixo número de pessoas que acreditam na diminuição da corrupção no país após a operação Lava Jato.  Para a pesquisa, 44% das pessoas acreditam que a corrupção no Brasil seguirá da mesma maneira, ao mesmo tempo 7% pressupõe que aumentará, enquanto 45% creem que diminuirá. Entenda as 40 fases da Operação Lava Jato.

Conforme informação divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, os ricos são maioria entre brasileiros que enxergam a Lava Jato como uma operação determinante para a redução da corrupção, com 54% dos entrevistados entre os que recebem mais de R$9,4 mil reais. Além disso, 53% disseram-se positivos e acreditarem na redução da corrupção. Entre os mais jovens a crença de que a corrupção não irá acabar praticamente prevaleceu.

Para o especialista em Processo Penal e mestre em Ciências Criminais, Luis Fernando Pereira Neto, a Lava Jato é uma operação que inicia para combater a corrupção e investigar os crimes que norteiam a corrupção como um todo, não só a corrupção passiva e ativa de agentes públicos, como também privados em relação a desvios de capitais, lavagem de dinheiro, entre outros.

Os dados divulgados pela pesquisa podem ser analisados de inúmeras maneiras, mas devem ser debatidos em sociedade, devido ao fato de que os brasileiros enxergam a Lava Jato com diferentes pontos de vista. Enquanto algumas pessoas são pró, outras são contra.

Para o professor e pesquisador da Universidade de Passo Fundo, Benami Bacaltchuk, analisar o resultado das pesquisas é uma atividade mais complexa do que parece, a sociedade tem grande parte de culpa nos escândalos, por isso, a resposta é quase sempre muito banal.

O resultado da pesquisa pode representar também a falta de satisfação da população pela maneira como o processo está sendo tratado, e até mesmo, a maneira com que a mídia está abordando a operação. Para o especialista Pereira Neto, todos os envolvidos no escândalo da Lava Jato deverão sim ser punidos, mas dentro da regra do jogo. Ele cita o exemplo do ex-presidente Lula. ‘‘Se o Lula é culpado efetivamente ele tem que ser punido dentro de um devido processo legal que a constituição brasileira determina. Agora não pode ser condenado por ser o Lula e não pode ser absolvido por ser o Lula e não pode ser a qualquer preço também”, concluiu Fernando.

O professor Benami enfatiza que a indignação pública e as mudanças de comportamento da sociedade brasileira são os primeiros passos para que tenhamos um país mais limpo. ‘‘A corrupção só poderá acabar quando a população se educar, primeiro se não continuar com os, aparentemente, inconsequentes deslizes. Quando formos educados para resistir. E mais importante e difícil, quando denunciarmos o que presenciarmos. O resto sem que inventassem uma Lava Jato, provavelmente, continuaríamos aceitando como inevitável. ’’

A pesquisa, no ponto de vista do professor Ivan Dourado, é  válida, pois mostra um contraste entre os brasileiros com relação aos seus pontos de vista sobre a Lava Jato. Dourado enfatizou ainda que, se não houver uma reestruturação e reforma política bem analisadas, junto com a população, não irá haver mudanças, pois o problema da corrupção é decorrente da cultura de grande parte da população.

O especialista Pereira Neto reforçou que uma operação da grandeza da Lava Jato, ou qualquer outra, para ser levada a sério e ter credibilidade, cada autor processual tem que ocupar o seu espaço. Ele explica que a polícia investiga, o Ministério Público Federal acusa, os defensores defendem, e o juiz apenas julga. ‘‘O juiz que é provocado e decide em cima da operação das partes, seja defensiva, ou seja, acusatória’’, afirma o especialista.

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Por Nathan Schultz e Adenilson Gois