Cores, danças, integração, sorrisos. Olhares que transmitem curiosidade, ansiedade e alegria de estar. Em uma semana recheada de cultura o XIV Festival Internacional de Folclore coloriu Passo Fundo e aqueceu o coração de todos que de alguma forma vivenciaram o evento.

Presente desde a VIII edição, as Oficinas de Conversação também fizeram parte da programação. A ideia surgiu depois de um pedido da comunidade e dos estudantes, que queriam ter mais contato com os países participantes. De acordo com a Coordenadora da Oficina, professora Rosane Innig Zimmermann, essa é uma oportunidade dos estudantes terem um contato mais íntimo com os participantes. “Eles tem essa curiosidade de chegar perto, tirar foto, conversar, além disso os aspectos culturais, porque ensinar uma língua estrangeira não é só saber falar, você precisa saber o que falar na hora certa, conhecer os usos e costumes”, disse.

Grupo da Argentina apresentou coreografias típicas do país que lembram muito a cultura gaúcha

O intuito de aproximar a comunidade tem trazido ótimos resultados, mostrando a evolução do festival nos últimos anos. O envolvimento com o público cresceu ainda mais desde a criação da oficina. A aluna da UPF idiomas, Amanda Zanning, disse que ter a oportunidade de conversar com nativos e compreender melhor a cultura de outro país sempre agrega mais conhecimento. “Estar aqui e por o inglês em prática mesmo, tentar entender eles com a diferença de pronúncias é um aprendizado que não se tem em sala de aula”, relata.

A troca de experiências culturais entre os visitantes e a comunidade é o que move quem trabalha na organização do festival. O Guia Tradutor que acompanhou os Estados Unidos/Canadá, Tiago Flores da Rocha, disse que trabalhar como guia é árduo, porém recompensador. “Ser guia é começar a trabalhar cedo e não ter hora para ir para casa, mas é recompensador, pois as pessoas são amigáveis e as experiências de culturas são bem legais”.

Oficinas de conversação reuniram mais de 1000 participantes de escolas de idiomas e comunidade

O grupo Americano/Canadense fez sua apresentação nas Oficinas de Conversação atraindo um grande e curioso público. Os integrantes apresentaram os principais estados de seus países de forma descontraída  e simples. Na hora das perguntas a comunidade não se conteve. Para os integrante, Passo Fundo é uma cidade que eles levarão para sempre no coração, com pessoas amigáveis e sempre dispostas a ajudar, também sentirão falta do nosso chimarrão. O grupo revelou ainda que a maior dificuldade que tiveram durante a preparação para o festival foram os ensaios. Com um grupo formado por dois países e participantes dos mais diversos estados americanos e canadenses, o comprometimento de todos em ensaiar de forma individual foi crucial para virem para o Brasil, além disso houve muitos ensaios aqui mesmo durante o tempo livre do grupo.

Nossos vizinhos Argentinos vieram para mostrar uma cultura rica em vestimentas, danças e instrumentos. Durante sua exposição, o grupo demonstrou danças tradicionais e, a pedido do público, encerrou com uma apresentação belíssima de tango. Ainda entre os países da América do Sul, da Colômbia também ganhou destaque por ser composto por alguns dançarinos com Síndrome de Down. Encantaram a todos com a história de dedicação aos ensaios e com o bom-humor e carisma com o público. 

Integrantes do grupo dos Estados Unidos/Canadá ensaiaram as coreografias para o Festival pela internet

A linguagem é o maior recurso que temos, seja ela corporal, visual, auditiva. Ela é base da cultura das sociedades ao redor do mundo. Neste ano, o XIV Festival Internacional de Folclore ficou conhecido como o festival da inclusão. Em uma das noites de apresentação de danças a organização proporcionou a descrição em áudio para deficientes visuais, a tradução em libras para deficientes auditivos e ainda acesso especial para cadeirantes e deficientes físicos.

Um festival marcado pela inclusão e pela linguagem, onde a cultura é o tema central, deixa marcas em cada um que participou, todos saem um pouco mais ricos culturalmente além de terem feito a diferença para alguém que está alí. A alegria, os sorrisos e o olhar de emoção nos olhos aqueceram as noites e tardes frias de cada oficina e apresentação. Um festival para não ser esquecido.

__________________________
por
Daiane Giesen / Lucas França