Noite de quarta-feira, fria e chuvosa, ideal para ficar no aconchego de casa e se esquentar com a ajuda da lareira ou do fogão à lenha. A sensação térmica era de oito graus e o vento castigava. Ali, mais de Duas mil e 500 pessoas, corajosas e com sede de novas experiências, se aqueciam no Casarão da Cultura, no Parque da Gare, aqui em Passo Fundo. O motivo: prestigiar o XIV Festival Internacional de Folclore.

Festa que representa a união dos povos, daqueles que vem do exterior ou mesmo deste país, dos que são da cidade sede do Festival e daqueles que viajam horas debaixo de frio e chuva para vislumbrar a diversidade cultural do mundo.

Em uma noite só, e em apenas um local, os olhares do público contemplavam uma mesma direção. No palco o espetáculo reunia talentos que vinham de todas as partes do globo. O DT Juvenil com todo o seu charme nas danças encantou a plateia, assim como o CTG Dom Felipe de Nadal com passos precisos representou a cultura gaúcha e arrancou aplausos de quem assistia atentamente ao espetáculo. 

De lá, do outro lado do Oceano Atlântico, vieram África do Sul, França e Eslováquia, trazendo a sua cultura através da arte e conquistando os brasileiros.  Representando a América-Latina no palco, a Colômbia cativou tanto a atenção que seus espectadores pouco piscaram. 

Minas Gerais e São Paulo mostraram ao Sul que em único país existe uma imensa diversidade e que sempre temos algo novo para conhecer. O resgate dos primeiros habitantes do Brasil ficou por conta do Grupo “KANHGÁG AG GOJ”, que viajaram por mais de três horas, vindos de Vicente Dutra, aqui mesmo no Rio Grande do Sul. 

A menos tempo na estrada, mas com vontade de ver o grupo, Marlene Canabarro, utilizou 45 minutos de seu tempo para se deslocar de Pontão à Passo Fundo. Envolvida ao ritmo do Festival, a aposentada refletia a alegria em seus passos de dança, que agitavam o intervalo entre uma apresentação e outra. O lanche pode esperar, ela fez questão de mostrar toda a sua alegria e admiração pelo que viu no palco. Há dez anos, dona Marlene acompanha o Festival, e nem as baixas temperaturas a impediram de estar ali presente.  

Tão feliz quanto dona Marlene, estava seu Odilon Garcez Ayres, que não conseguiu conter sua emoção ao falar do Festival. E o que tornou a noite ainda mais especial, foi a homenagem que ele, como representante da Academia Passo-Fundense de Letras recebeu pelos 80 anos da entidade. Seu Odilon não esquece de destacar sobre a valorização e o incentivo a cultura, assim como está fazendo Katiuscia Bueno Lirio que está proporcionando a sua filha Djenifer uma estreia dupla no evento. A pequena, com apenas seis anos, assiste as apresentações e dança pela primeira vez no Festival.  Mãe e filha deixam transparecer a ansiedade e a animação para a apresentação com o CTG Lalau Miranda. 

O Festival além de vários povos acolhe com carinho todas as idades, cores, raças, crenças, saberes sem preconceitos ou julgamentos, pois lá é o local de aprender e ensinar transmitir através da arte o respeito entre todos os povos.

Odilon Garcez Ayres marca presença

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por Ana Paula Ferri / Lisiane Boaventura / Giseli Biazus