Gabriela Schütz e Luisa Biasuz

A tatuagem imersa na sociedade contemporânea

Se expressar em forma de desenhos desde os primórdios do homem da caverna já era comum, a pintura representada no corpo também é cultuada no mundo todo e há indícios de que surgiu no Antigo Egito. As tatuagens acompanharam várias gerações, servindo de ritual em tribos indígenas, para identificação em campos nazistas, símbolo de força e vida para marinheiros, representando a marginalidade nas cadeias. Atualmente, é vista como uma forma de liberdade de expressão.

O professor de Filosofia da Universidade de Passo Fundo, Doutor Francisco Fianco, conta como foi a entrada de sua vida no mundo das tatuagens.

Em Passo Fundo e região, há inúmeros estúdios de tatuagem. A tatuadora Nina Foppa, formada em design de moda, que tatua a um ano, comenta sobre como iniciou seu interesse por tatuagem. “Primeiramente foi na faculdade que despertei mais ainda minha paixão por desenhar e vi que era isso que queria pra minha vida. Comecei então como ilustradora e tinha muitos pedidos de desenhos encomendados especificamente para tatuar. Sempre admirei essa arte de marcar algo pra vida inteira, com essas demandas de desenhos pra tattoo comecei a estudar sobre como virar tatuadora”, explica Nina.

Apesar de não haver pesquisas que informem a quantidade de tatuados no Brasil, podemos enxergar que cada vez mais as pessoas estão se entregando a essa arte. Porém, o preconceito, ainda é muito presente em algumas áreas conservadoras da sociedade. A tatuagem acaba sendo vinculada a valores negativos e, às vezes, é vista como imagem de agressividade e desleixo, fazendo com que ocorra a condenação e taxação dos que têm seus corpos tatuados. Fianco ainda explica como essa representatividade pode estar distorcida porém, como a compreensão do que é uma gravura no corpo também está crescendo.

No mercado de trabalho a maioria dos tatuadores ainda são homens, o que nos leva ao direcionamento de uma cultura machista que nos cerca, mesmo nesse contexto onde ser diferente é a maior causa. Nina contou porque escolheu uma profissão praticamente dominada por homens. O preconceito e a subestimação são fatores que dificultaram sua entrada no mercado, mas ela encontrou pessoas que acreditavam em seu trabalho e a tratavam de igual para igual.

O professor Francisco Fianco conta como é a aceitação dos alunos e como foi recebido inicialmente no ambiente acadêmico.

O significados encontrados nas tatuagens são diversos, cada pessoa se identifica com algum tipo de desenho e leva aquilo para o resto da vida. Uma decisão importante que carrega uma relação que pode ser de proteção, força ou apenas estética, mas que modifica a pele natural. Nina se destaca no perfil de tatuadora pelo fato de criar o desenho da tatuagem com o cliente. “Faço vários desenhos até que a pessoa ame e queira pra sempre com ela. Esse é a minha maior realização como profissional, não ser só uma ‘impressora’, isso é o que diferencia meu trabalho”, conta Nina.

O professor Fianco dá uma dica para quem está interessado em ter um desenho permanente.