Alguns dos políticos mais polêmicos dos últimos anos

Falar em política hoje é falar de Lava Jato, impeachment e, principalmente, Lula, Dilma, Temer e Eduardo Cunha.  Estes quatro personagens em especial ganham destaques por polêmicas, escândalos, operações policiais, entre outros fatores que não vamos aqui listar. Mas para entender melhor suas formas de fazer política, vamos conhecer seu passado.

Lula, “o filho do Brasil”

Lula foi presidente do Brasil de 2003 a 2010. (Foto: Divulgação)

Há um ditado popular que diz “mais conhecido que laranja de amostra”. Este é Lula.  Um sertanejo que nasceu em 1945, numa casinha de chão de batido. O sétimo filho de uma família pobre tornou-se presidente.

E seguindo o mesmo rumo de seus conterrâneos, em 1952, Dona Lindu, mãe de Lula e seus filhos saem

Lula foi preso em 1980 e passou 31 dias na cadeia. (Foto: Divulgação)

do sertão para ir para Santos ao encontro do marido. Lá, ele e seus irmãos podiam apenas trabalhar, pois o pai os proibia de estudar e brincar. Trabalhou como ambulante, engraxate, auxiliar de tinturaria e aos 14 anos começou um curso de torneiro mecânico pelo Senai, onde ele participou de atividades culturais, teve aulas do ensaio regular e ainda praticou esportes.

 

Teve seu primeiro contato com a política no sindicato através de seu irmão, que era militante do extinto Partido Comunista Brasileiro (PCB). A partir da metade de 1970, as greves e reivindicações trabalhistas começaram a se intensificar. Entre 1978 e 1980, Lula liderou greves que atingiram proporções gigantescas.  Em 19 de abril, foi preso, passando 31 dias na cadeia. Logo após isso, em 19 de fevereiro de 1980, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi criado, tendo Lula como seu primeiro presidente, mas apenas em 1982 foi reconhecido pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE) como um partido politico nacional. Foi ele, também, que promoveu um grande comício pelas diretas já.

Em 1983, Lula foi o deputado federal mais votado e, finalmente, depois de três tentativas frustradas, foi eleito presidente em 27 de novembro de 2002. Segundo o Doutor em História, Alessandro Batistella, as ações implementadas por Lula durante seu mandato foram importantes e necessárias, sobretudo no combate à fome e à miséria. “Pode-se discutir as suas limitações e os usos políticos dessas ações, mas, inegavelmente, elas foram e são importantes para uma considerável fração da população brasileira”.

Lula foi reeleito presidente em 2006 e, em 2010, entregou a faixa presidencial para sua sucessora Dilma Rousseff.

Dilma, a primeira presidenta do Brasil

Dilma foi a primeira mulher se tornar presidente do Brasil. (Foto: Divulgação)

Dilma Vana Rousseff nasceu no dia 14 de dezembro de 1947 em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segunda dos três filhos do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro com o nome de Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, foi criada em uma família de classe média alta.

Descobriu a política aos 17 anos quando começou atuar como simpatizante na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária, conhecida como Polop, organização de esquerda, contrária à linha do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1967, já cursando a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, passou a militar no Comando de Libertação Nacional (Colina), organização que defendia a luta armada.

Entre 1967 e 1970, Dilma atuou como guerrilheira na luta armada contra a ditadura militar, utilizando vários codinomes diferentes para fugir da perseguição da polícia e do Exército. Foi presa em 1970, quando enfrentou sessões de tortura que incluíam pau de arara, choques elétricos, socos e palmatória, e foi condenada a seis anos de prisão. Depois de cumprir pena de três anos, o Superior Tribunal Militar (STM) reduziu a condenação a dois anos e

Dilma sendo interrogada durante a Ditadura Militar. (Foto: Editora Globo)

um mês.

 

Ao sair da cadeia, em 1972, Dilma foi morar em Porto Alegre, onde viveu junto com o militante Carlos Araújo. Ela estudou economia pela Faculdade Federal do Rio Grande do Sul e em 1976 tiveram uma filha chamada Paula. Com o fim das ilusões armadas, Dilma e Carlos Araújo filiaram-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Leonel Brizola, pelo qual ele se elegeu deputado estadual três vezes seguidas. Dilma ocupou cargos com a ajuda do partido, onde foi secretária de Energia do governo gaúcho nos mandatos de Alceu Collares e de Olívio Dutra. Em 2000, trocou o PDT pelo PT.

Em 2002, Dilma assumiu o cargo de ministra de Minas e Energia no governo Lula, além de ser nomeada presidente do Conselho de Administração da Petrobras, cargo que exerceu até março de 2010. Em 2005, passou a ser ministra-chefe da Casa Civil no lugar de José Dirceu. Na Casa Civil, Dilma assumiu o controle do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um projeto para promover crescimento econômico por meio de grandes obras de infraestrutura. Em abril de 2009, Dilma descobriu um linfoma, ou seja, um câncer nos gânglios, porém havia tratamento. Já curada, Dilma se candidatou à Presidência da República nas eleições de 2010. Ela venceu com 56,05% dos votos e se tornou a primeira mulher se tornar presidente do país.

No último ano de seu mandato, ela passa por rejeição pública. “Podemos elencar uma série de fatores: a crise econômica; o gradativo isolamento político da ex-presidenta; a forte campanha oposicionista da grande imprensa e das elites empresariais, que exploraram amplamente as denúncias de corrupção envolvendo os governos do PT, entre outros”, argumenta Batistella.  Mesmo assim, em 2014 Dilma foi reeleita com 51,6% dos votos.

Com baixa popularidade, com uma oposição fortemente midiática, negociações por cargos acabaram por enfraquecer seus aliados. Para o advogado Rafael Paulo Kummer “a operação Lava Jato, em todas as suas fases de investigação, enfraqueceu de fato a base do governo Dilma Roussef, com o envolvimento do partido político e de várias lideranças próximas da presidência que ocupavam cargos de alto escalão”. Incluindo seu mentor, o ex-presidente Lula.

Movimentos populares e a própria mídia, então, começaram a pedir seu impedimento. No entanto, o nome da presidenta, durante o seu mandato, ainda não havia sido indiciado na operação, por essa razão, o estopim da sua queda de popularidade foi um – seu impedimento veio por outra razão, argumenta Kummer. “O desatendimento à legislação gerou a motivação para o seu afastamento, enquanto a operação Lava Jato não tinha fundamentação legal para tanto”. Assim ela foi afastada por  pedaladas fiscais. O requerimento foi aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no dia 17 de abril de 2016, e em 11 de maio do mesmo ano ela foi afastada do cargo.

Em agosto de 2016, o processo de Dilma foi julgado pelo Senado. Por 62 votos a 20, o Senado decidiu a favor do impeachment, tirando-a definitivamente da Presidência. Entretanto, com a ajuda de aliados, Dilma não perdeu os direitos políticos por oito anos. Em seu lugar, assumiu Michel Temer, então presidente do Brasil.

Michel Temer, o presidente não eleito

Graças ao impeachment de Dilma Rousseff, Michel Temer é o presidente interino do Brasil, sendo o terceiro presidente não eleito do PMDB. (Foto: Agência Brasil)

Michel Miguel Elias Temer Lulia nasceu em 23 de setembro de 1940, em Tietê, no interior de São Paulo. Caçula de oito irmãos, é filho de Miguel Elias Temer Lulia e March Barbar Lulia, dois libaneses que deixaram o país natal para viver no Brasil.  Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USO) em 1963 e se tornou doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e publicou livros sobre a Constituição e o Direito Constitucional.

O primeiro contato de Temer com a política foi na universidade. No primeiro ano do curso, se tornou segundo-tesoureiro do Centro Acadêmico. Em 1962, se candidatou a presidente da entidade, mas perdeu a eleição.  Durante todo o período da ditadura militar, Michel dedicou-se à carreira de professor universitário e advogado, sem exercer cargos públicos. Somente começou a carreira política na década de 1980, na Secretária de Segurança Pública de São Paulo. Anos depois, entrou para o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e se elegeu deputado constituinte. Voltou à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo nos anos de 1990, e depois foi eleito deputado pelo PMDB. Foi presidente da Câmara por três vezes, em 1997, 1999 e 2009, e presidente do PMDB entre 2001 e 2015.

Em 2010, Michel formou a chapa com Dilma Rousseff para concorrer, como vice-presidente. Reeleito junto a Dilma nas eleições de 2014, o distanciamento entre os dois acabou se ampliando quando Temer apoiou Eduardo Cunha (PMDB) à Presidência da Câmara, enquanto os petistas apoiaram Arlindo Chinaglia. Temer rompeu com a presidente no final de 2015, pouco após Eduardo Cunha aceitar o pedido de impeachment co

Temer com sua esposa e filho. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

ntra Dilma na Câmara. Graças ao impeachment de Dilma Rousseff, Michel Temer é o presidente interino do Brasil. Sendo o terceiro presidente não eleito do PMDB.

 

Hoje, ele é casado há mais de dez anos com a também advogada Marcela Tedeschi Araújo. O casal tem um filho chamado Michel, de nove anos. Temer ainda tem três filhas: Maristela, hoje com 47 anos; Luciana, de 44; e Clarissa, que tem 42 anos, frutos do seu primeiro casamento com Maria Célia de Toledo. Além de ter um filho com uma jornalista: Eduardo, de 15 anos.

Uma das grandes polêmicas de seu governo é a reforma da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Sobre isso, Kummer diz que por hora se limito a manifestar que “a reforma trabalhista proposta, muito embora necessária, não atende ao verdadeiro propósito. As alterações sugeridas são de grande impacto ao trabalhador, o qual como parte menos favorecida na relação de trabalho deve ser protegido. Contudo, deve haver um maior cuidado e também maior debate sobre o tema antes de aprovar um texto que não irá se encaixar à realidade brasileira”.

Eduardo Cunha, o homem por trás do impeachment de Dilma

Eduardo Cunha renunciou seu cargo de presidente da Câmara dos Deputados em 7 de julho de 2016. (Foto: Divulgação)

Eduardo Consentino Cunha nasceu em 29 de setembro de 1958. Formou-se em economia pela Universidade Candido Mendes. Começou sua relação com a política quando trabalhou na campanha de Eliseu Resende do Partido Democrático Social (PDS).

Em 1991, foi convocado por Collor para comandar a Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro (Telerj), e dois anos depois foi exonerado por corrupção, a mesma que motivou o impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello. Em 1998, ficou suplente nas eleições a deputado. Já em 1999, ele tornou-se subsecretário de habitação do governo de Anthony Garotinho. Algum tempo depois, a secretaria vira uma companhia estatal tendo Cunha como presidente. Por fim, no ano seguinte, foi afastado por suspeita de contratos ilícitos, mas o caso acabou por ser arquivado.

Elegeu-se na campanha 2002 pelo Partido Progressita (PP) e, em 2006, se reelegeu pelo PMDB. Em ambas as eleições, concorreu como deputado federal. Através de acordos e alianças em 2008, Cunha foi eleito presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Em 2010, concorreu aliado à Dilma, mas após a eleição acabou perdendo espaço em seu governo. Tentou retomá-lo através de ameaças, como se posicionar a favor da CPI da corrupção e dificultar projetos da petista.

Mais uma vez, Cunha reelegeu-se em 2013, quando começou a ser uma pedra no sapato de Dilma, dificultando ações do governo. Em março do mesmo ano, o Supremo Tribunal de Justiça abriu uma ação contra ele para investigar uso de documentos falsos com o objetivo de atrapalhar investigações sobre ele, mas foi absolvido.

Em 2015, novamente no comando da Câmara, acelerou processos como a proibição de doações empresariais para campanhas políticas. Um hábito comum no PT. Em agosto do mesmo ano, tornou-se mais um nome na lista da Lava Jato, citado por receber propina para facilitar contratos da Petrobras. Em setembro do mesmo ano, o governo suíço encaminhou ao Brasil documentos que comprovariam supostas contas bancárias do deputado no país. Em sequência a isto, em novembro, um processo foi aberto no Conselho de Ética para investigar as contas não declaradas.

No final de 2015, aceitou um dos pedidos de impeachment de Dilma, e no mesmo mês seu afastamento foi solicitado por Janot. O ano seguinte também foi bastante conturbado para Cunha. No mesmo mês em que o PMDB rompe publicamente com Dilma, ele vira o primeiro réu da Lava Jato. Em abril, mais uma polêmica: seu nome apare

Eduardo Cunha e sua esposa Cláudia, que também já virou ré da Lava Jato. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil)

ce no escândalo da Panamá Papers, como dono de uma offshore. Em maio ele é afastado por determinação do ministro Teory Zavasky.

 

Os meses de junho e julho vieram acompanhados de uma sequência de acontecimentos. Cláudia Cruz, esposa de Cunha, virou ré na Lava Jato, por ser parte de um esquema de propina na Petrobrás. Cunha se tornou réu pela segunda vez, por contas não são mencionadas.  A terceira denúncia contra ele foi apresentado pela procuradoria por recebimento de propina nas obras do Porto Maravilha. Sua cassação foi aprovada pelo Conselho, seguindo para votação no Plenário, ainda em 2016.

Em julho, Cunha recorreu da decisão do conselho e Fábio Mello, ex-dirigente da Caixa, afirmou em sua delação na Lava-Jato que Cunha recebia 80% de toda propina do esquema de liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Cunha negou tudo, porém, no dia 7 do mesmo mês, renunciou seu cargo.

Fontes: Polícia Federal; Câmara dos Deputados; Tribunal de Contas da União; Site oficial da Dilma Rousseff; Site oficial do Lula; Site oficial do Michel Temer; Página do Eduardo Cunha no site da Câmara dos Deputados.

Por Amélia Freitas dos Santos e Monique Chiarentin