Por: Mariana Messerschimidt e Ragnara Zago.

O projeto já vem sendo implantando nos principais hospitais de Erechim.

 Vem da Dinamarca uma das ideias mais surpreendentemente úteis dos últimos tempos. Trata-se do Projeto Octo, iniciativa que busca proporcionar um pouco de conforto a recém-nascidos prematuros de uma maneira diferente: graças a pequenos polvos de crochê colocados nas incubadoras, os bebês demonstram uma melhora considerável em diversos aspectos, já que os bichinhos os ajudam a ficar calmos. Essa iniciativa – aparentemente simples, mas bastante eficaz – chegou ao Brasil recentemente, e em Erechim já existem recém-nascidos sendo ajudados por estes tentáculos que só fazem o bem. Existe algo parecido em  nossa regiãow traga aqui uma informação que aproxime o leitor do contexto.

 Criatividade que salva vidas

Foi há pouco mais de dois meses que a dona de casa e artesã Lia Mara Beilke Cortina, moradora da cidade de Erechim, descobriu o Projeto Octo, através de uma reportagem que viu pela internet. A vontade de fazer algo parecido surgiu imediatamente, e ela se pôs a confeccionar os simpáticos polvinhos. “Tem repercutido muito, já fiz uns 30,. Inclusive essa semana já levei nove para o hospital Santa Terezinha. “Faço todos para doação. Não tem dinheiro envolvido”, diz Lia, que visitou a UTI neonatal do local e comprovou o quão útil é seu trabalho. “Cheguei lá e tinha uma menininha chorando, a enfermeira não conseguia consolar ela. Entregamos um polvinho e ela parou na hora, por incrível que pareça”, conta.

Não há, contudo, mágica ou algo do gênero para explicar a ação dos moluscos de crochê neste momento tão delicado na vida de um indivíduo. Esse efeito “tranquilizante” se dá devido à semelhança dos tentáculos com o cordão umbilical, o que passa ao bebê a sensação de segurança que ele tinha enquanto habitava o útero materno. “Eles ficam mais calmos, e isso acaba mexendo com os sinais vitais, deixando-os dentro da normalidade”, explica a gerente de serviços da UTI neonatal do Santa Terezinha, Tatiana Bernardi.

 Um excelente ajudante

Foto: Divulgação

Segundo Tatiana, embora o polvo não substitua o carinho e atenção dado pela mãe ou pelo pai, é inegável que ele tem servido como um valioso quebra-galho. “Muitas mães e pais não conseguem vir todos os dias, nem vir na hora em que os bebês estão agitados, e os bichinhos acabam ajudando e é visível a melhora. Os batimentos cardíacos e a respiração ficam normais”, afirma a gerente, que garante todo cuidado com a esterilização dos companheiros dos bebês antes de colocá-los nas incubadoras. “A gente manda lavar, esterilizar a cada cinco dias, e marcamos o polvo de cada bebê”, explica.

Para não esquecerem nunca da ajuda que tiveram dos amorosos tentáculos criados por Lia, cada bebê leva para casa seu polvinho assim que recebe alta do hospital. 

Toda ajuda é bem-vinda

Muitas doações de linhas e enchimento de travesseiro são feitas ao Santa Terezinha, que repassa o material para que Lia desenvolva sua arte. Além disso, a própria criadora se disponibiliza a ensinar crochê para quem quiser ajudar a confeccionar os polvos. O telefone para contato é (54)99971-4870. “É muito fácil de fazer, qualquer pessoa faz”, ressalta Lia, que se considera realizada por ser útil a pessoas tão especiais. “Eu saí de lá muito feliz com o que vi. Uma coisa que eu comecei a fazer e não pensei que fosse ser tão bom para eles. É bom poder proporcionar isso aos bebês”, completa.

 Reconhecimento no Legislativo

A repercussão dos polvos de crochê de Lia tem sido tão positiva que mereceu um reconhecimento oficial por parte da Câmara de Vereadores de Erechim. Em pedido de requerimento, o vereador Gilson Serafin (PSD) enviou, em nome da casvotos de congratulações à artesã por tamanha sensibilidade. “A senhora Lia, num ato de humanidade e caridade, transforma seus dotes manuais em mimos para acalentar os bebês recém-nascidos prematuramente […]. À ela, nosso reconhecimento e agradecimento, por tornar mais confortável a vida de seres tão pequeninos, por isso nossa simples homenagem”, diz o documento.