Essa é uma dúvida frequente nas pessoas que desejam estar com a saúde em dia mas temem que o gasto comprometa o orçamento

Toda semana quando precisa ir ao supermercado fazer compras, Damiana Eberle, de 28 anos, gasta mais de uma hora na escolha dos produtos. Isso porque além de lutar para ter uma vida mais saudável, precisa ficar com os olhos bem abertos nos rótulos dos alimentos. A arquiteta descobriu em outubro de 2015 que é intolerante ao glúten. Em novembro do mesmo ano, mais uma descoberta. A intolerância a lactose. A partir daí, precisou remodelar a dieta para atender as restrições na qual ela precisa conviver diariamente. Decidiu que como precisaria reeducar a alimentação, então que fosse de uma forma mais saudável, conciliando as restrições com a saúde do corpo.

Damiana Eberle leva cerca de uma hora na escolha dos alimentos no supermercado

Foi aí que decidiu procurar a ajuda de uma nutricionista. Na primeira consulta a arquiteta recebeu uma dieta que lhe causou estranheza. “Essa dieta foi bem difícil de seguir porque o lanche da tarde era somente duas castanhas e uma maçã. Eu realmente sentia fome e então desisti”, relata Damiana. Após esse período, sem cuidar do que comia, viu o corpo responder as mudanças de hábito e os problemas com o glúten e a lactose voltarem. Foi aí que decidiu procurar uma nova profissional da área. Essa montou um novo plano alimentar que respeitasse as limitações do organismo e as vontades do dia a dia. Na hora de comprar os produtos, o susto.

“Eu gasto 50% a mais seguindo
essa nova dieta”

Os alimentos da reeducação passaram a elevar em cerca de 50% os gastos no supermercado. “Além de ser um pouco mais caro, demanda mais tempo na rotina.Os produtos 0% açúcar tem o valor bem mais alto”, conta, destacando ainda que tem um gasto a mais no orçamento por conciliar exercícios físicos com personal trainer que ultrapassa os R$300 e ainda procedimentos estéticos para manter o corpo do jeito que gosta.

Uma dieta zero açúcar, custa caro!

Do ponto de vista da área da nutrição, ser saudável não é obrigatoriamente sinônimo de gastar mais. Para a nutricionista Cintia Gris, é possível sim ter uma alimentação saudável gastando pouco. Claro que no caso de pessoas com restrições e intolerâncias alimentares como é o caso de Damiana, a dieta passa a ter um novo contexto. A nutricionista destaca que algumas mudanças de hábito auxiliam para a melhora da alimentação sem interferir negativamente no bolso. “Preparar as próprias refeições é uma forma de economizar e se alimentar melhor. Quando você cozinha, pode optar por preparações mais leves e saudáveis sem pagar muito por elas. Optar por alimentos regionais e da época também é uma forma de melhorar a alimentação sem gastar muito dinheiro”, orienta.

Os alimentos light e diet estão presentes em muitas dietas de brasileiros e brasileiras.  Cintia alerta que os alimentos diet são aqueles destinados a dietas com restrições de nutrientes e não necessariamente possuem menos calorias que os alimentos “tradicionais”. Os produtos light possuem redução de no mínimo 25% de algum determinado nutriente ou valor enérgico. “O importante no momento da escolha e compra dos alimentos é sempre dedicar um tempo para leitura do rótulo, observar com calma a informação nutricional, a lista de ingredientes e assim evitar de pagar mais caro por um alimento que na verdade pouco difere do alimento “tradicional” ou similar”, enfatiza a nutricionista que orienta a sempre optarem por comprar produtos em locais onde existe uma grande variedade de alimentos in natura, regionais e da época, como as feiras livres onde o alimento é comercializado diretamente pelo agricultor, por exemplo, tornando assim uma boa alternativa para se levar para casa alimentos saudáveis e com baixo custo agregado.

As dificuldades para manter os hábitos saudáveis também acompanham a arquiteta. Para ela é muito difícil se controlar nas jantas com os amigos, nas viagens a trabalho e nos finais de semana. “Se você estiver viajando e precisa fazer um lanche numa padaria, por exemplo, o local não vai ter um alimento saudável para oferecer. Então ou eu preparo o que vou comer ou saio da dieta”, relata.

Alimentos naturais recomendados pela nutricionista

A dieta da arquiteta é basicamente formada proteínas, a única porção de carboidrato do dia fica reservada para o almoço. No café da manhã ela opta basicamente por algum destes alimentos como iogurte, frutas, aveia, ovo e panquecas com farinhas especiais, como a de arroz, para atender às intolerâncias.

“Se você quer hoje em dia buscar um corpo realmente com definição muscular e tudo mais, custa muito caro”

Por ser uma dieta considerada radical, o açúcar é considerado um verdadeiro inimigo, bem como as bebidas alcoólicas. “Eu tenho nessa dieta o “dia do lixo’, que é o dia liberado para eu comer o que quiser, mas mesmo assim eu me cuido”, relata.

Com a correria do dia a dia, a dica da nutricionista que está na consciência também da arquiteta é respeitar o próprio corpo e organizar o tempo. “É preciso pesquisar quais são os alimentos do mês e da época, dar preferência a alimentos regionais, organizando uma lista de compras já pensando nos lanches e refeições para durante a semana, com uma boa pesquisa de preço em diferentes espaços comerciais”, finaliza Cintia.

Queridinhos pelos brasileiros e vilões da saúde

A obesidade no Brasil

A obesidade já é uma realidade para 18,9% dos brasileiros. Já o sobrepeso atinge mais da metade da população (54%). Os dados são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e foram divulgados pelo Ministério da Saúde.

Entre os jovens, a obesidade aumentou 110% entre 2007 e 2017. Esse índice foi quase o dobro da média nas demais faixas etárias (60%). O crescimento foi menor nas faixas de 45 a 54 anos (45%), 55 a 64 anos (26%) e acima de 65 anos (26%).

Por Lucas França e Lisiane Boaventura