Nova Prata é conhecida como a Capital Nacional do Basalto e também
faz parte do Roteiro Turístico Termas e Longevidade.

Por: Monique Chiarentin

Localizada na região nordeste do Rio Grande do Sul, a 186 km da capital Porto Alegre, Nova Prata tem 92 anos de emancipação, 23.600 habitantes (2012) e é constituída de descendentes de italianos, em sua maioria, e pessoas de origem polonesa, alemã, portuguesa, espanhol, africana e sírio-libanesa.

 

Hoje o município é conhecido como a Capital Nacional do Basalto – que é uma rocha vulcânica usada principalmente em ruas e calçadas. Nova Prata é conhecida também por fazer parte do Roteiro Turístico “Termas e Longevidade”, que abrange outras cidades da região: Protásio Alves, Vila Flores, Veranópolis e Cotiporã.

O roteiro turístico e histórico é composto principalmente pelo Complexo Hidrotermal Caldas de Prata, pelo Museu Municipal Domingos Battistel e pela Casa Polonesa.

Complexo Hidrotermal Caldas de Prata: Turismo para o corpo e a alma

O Complexo Caldas de Prata é o ponto turístico mais famoso de Nova Prata. Localiza-se no limite entre os municípios de Nova Prata e Protásio Alves.

Tudo começou em 1985, quando foi perfurado um poço no município através do programa do governo “O Petróleo é Nosso”. Como não acharam petróleo, o poço foi fechado. Depois de um tempo, a empresa Fonte Nova, especializada em perfuração de poços artesianos, se interessou em pesquisar o poço e acabou descobrindo que havia água termal na região.

Os proprietários da empresa, Nelson Salvador e Fábio Boff, seguiram firme com a ideia de exploração das águas termais. Então, com a autorização da Prefeitura Municipal de Nova Prata, iniciaram a perfuração do primeiro poço. Foram quatro tentativas até a descoberta da água termal e quando encontraram instalaram uma piscina de fibra para testes. A ação deu certo e atraiu diversas pessoas. Foi então que começou a construção do parque com a empresa Terraplanagem Salvador. Em 16 de maio de 2003, foi inaugurado o Complexo, que era composto por duas piscinas abertas e o prédio principal. O evento contou com a presença de muitas autoridades, inclusive do governador na época, Germano Rigotto.

Segundo a administradora do Complexo, Graciane Galli, visitam o parque, em torno de 1.000 pessoas por mês, principalmente no verão. “Turistas de Santa Catarina representam o grupo que mais visita aqui, além de São Paulo, Rio de Janeiro e até de Brasília. Inclusive pessoas da Alemanha, Itália, Japão e Canadá. Já pessoas daqui do estado, a maioria vem da Grande Porto Alegre. Agora o pessoal de Passo Fundo, região Norte, tem começado a vir pra cá.”

Porém, os próprios moradores de Nova Prata não tem visitado muito o parque. “Daqui da cidade poucos vem, é uma quantidade bem insignificante comparado aos que vem de outras cidades do estado.” Para Luana Santos, moradora do município, o Complexo é um lugar comum para os pratenses e por isso não querem visitá-lo com tanta frequência. “Já se tornou algo defasado o ato de visitar o parque, algo que para os moradores já se tornou usual, já estão acostumados, não é mais interessante.”

Hoje o lugar conta com duas trilhas: A Trilha da Cascata e a Trilha das Bromélias, as duas passam por locais onde a cultura e a história da imigração italiana estão presentes; além disso, o turista também pode contemplar a Cascata da Usina – onde fica o Rio da Prata e abastece o Complexo com energia elétrica – e várias plantas nativas da região, outro atrativo do parque, já que cada planta tem uma placa com seu nome comum e científico sinalizados. Se o turista está procurando um lugar para relaxar, o complexo conta também com um spa, que abriga banheiras de hidromassagem, massagens terapêuticas, banhos temáticos com cerveja, vinho, 7 ervas, erva-mate, chocolate e rosas.

Museu Municipal Domingos Batisttel: uma viagem ao passado.

O Museu Municipal está localizado no centro de Nova Prata, em uma casa que foi construída em 1914. Primeiramente a casa foi uma escola, depois em 1924, abrigou um presídio. Com o tempo, a casa foi sendo ocupada pelo Fórum, pela Biblioteca Municipal e até pela Prefeitura.

A casa onde o Museu se encontra, já foi usada para ser uma escola, um presídio, o Fórum, a Biblioteca Municipal e a até a Prefeitura. Foto-Reprodução

Clelia Morales Ghidin, coordenadora do Museu explica sobre a história do patrono do Museu: Domingos Battistel. Ele nasceu em 1895 em Nova Prata (na época se chamava Capoeiras). Ele era filho de imigrantes italianos e casou-se duas vezes. Teve 17 filhos, para os quais deu a oportunidade da aprendizagem das letras e da matemática. Participou dos grandes acontecimentos políticos e sociais da cidade, ajudando com dinheiro e dias gratuitos de serviço na construção da Igreja Matriz, Casa Paroquial e antigo Hospital. A partir de 1960, vendo que os costumes de sua geração iriam desaparecer, ele começou a guardar no porão de sua casa todas as ferramentas antigas que não usava mais. Em 1982, a família Battistel doou ao Museu o acervo de ferramentas.

João Carlos Schimitt, então prefeito da cidade (administração 1977/83), teve a ideia de fazer o projeto do museu. Em 05 de agosto de 1987, o Museu foi inaugurado, contando com 900 pessoas no dia. Hoje o acervo conta com objetos, roupas, maquinários e brinquedos de várias famílias que moraram não só em Nova Prata, mas também em outras cidades da região.

Clelia explica que o acervo conta também com objetos de várias etnias, sendo as principais italiana, alemã e polonesa. “Têm fotografias belíssimas que as pessoas nos trazem e acabamos nem expondo, pois são muito bonitas.”

Ela conta ainda que em torno de 200 pessoas por mês visitam o Museu. “Aqui chegam pessoas de outros estados do Brasil, de outras cidades do Rio Grande do Sul, da Itália, da Alemanha e de vários outros países também, ou porque tem um parente que mora aqui ou porque a pessoa veio morar aqui.” Inclusive, durante o Festival Internacional de Folclore de Nova Prata, os turistas aproveitam e visitam o Museu.

O Museu é um lugar onde podemos encontrar vários objetos que resgatam a cultura da sociedade do século passado, onde as coisas eram diferentes e as pessoas viviam de um jeito simples. E é no Museu, onde essas etnias se misturam e nos mostram que muita coisa ainda está viva.

Casa Polonesa: conhecendo uma cultura diferente sem sair do país.

A Casa Polonesa fica localizada no centro da cidade. Na mesma rua que a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e o Horto Florestal. É uma casa construída no estilo Zakopane (cidade montanhosa no sul da Polônia). Ela é toda feita de madeira encaixada uma na outra, sem a utilização de pregos. A princípio, foi construída para ser residencial, mas com o tempo a Prefeitura ligava para agendar visitas e assim, a casa se tornou um ponto turístico de Nova Prata.

 

A Casa Polonesa é tão famosa e bonita pelo lado de fora, que muitas mulheres grávidas e até noivas tiram suas fotos na casa. Foto-Reprodução

Vanda Hamerske, proprietária da casa e filha de uma polonesa, conta que muitos turistas, de várias cidades da região e até de outros estados chegam à casa, às vezes em ônibus (alguns vem por causa do Complexo Caldas de Prata), porém as pessoas que desejam ir até lá, precisam agendar a visita, pois ela e seu marido nem sempre estão na casa, afinal eles também tem seus compromissos.

“Tem um pensamento polonês que diz que ‘visita em casa é Deus em casa’, então nós sempre abrimos as portas e graças a Deus até hoje não aconteceu nada de mais”. Vanda diz também que tem um pouco de receio quando as pessoas entram na casa, pois tem muitos objetos pequenos e artesanatos, todos vindo da Polônia, e ela teme que alguém possa furtá-los. “Mas eu às vezes penso que talvez ninguém vá roubar um artesanato que para certas pessoas não tem valor, mas para gente tem.”

Vanda e seu marido são diretores do Grupo Kalina, um grupo de dança típica polonesa, de Nova Prata. Eles e o grupo vão todos os anos para a Polônia em uma Estada Educativa, onde os dançarinos do grupo tem a oportunidade de conhecer a língua polonesa e a cultura do país.

Dentro da casa podemos ver uma sala enorme cheia de miniaturas; almofadas com desenhos bordados; vários quadros com imagens de pessoas vestidas com roupas tipicamente polonesas; alguns quadros de Jesus e Maria (o que remete à Religião Católica, a qual tem muitos adeptos na Polônia). A casa é toda decorada com muitos artefatos coloridos e cheios de bordados. Um ótimo lugar para aprender mais sobre uma cultura diferente, sem sair do Brasil.

Nova Prata tem outros pontos turísticos, como o Roteiro Religioso, – onde o turista tem a oportunidade de conhecer igrejas e capitéis fundados por imigrantes italianos, alemães e poloneses – o Museu do Imigrante Italiano; Pórticos Norte e Sul e a   Igreja de São Peregrino (toda feita de basalto). Além disso, a cidade está localizada na Região Uva e Vinho, onde pode-se encontrar a gastronomia típica dos imigrantes italianos e alemães.