O estilo de dança ganha mais adeptos, muitos por conta de apoios culturais de centros de assistência social, como o CRAS

Por Ariane Szymanski e Cristian Mroginski

Jonathan Roscioli, de 20 anos, mora em Erechim e participa de um grupo de Dança de Rua em desde 2013, chamado No Name Dance Crew, hoje com mais de 10 integrantes. As atividades do grupo são aulas, workshops (oficina de dança), trabalhos coreográficos, ensaios para eventos e festivais, festas, entre outros.

Jonathan Roscioli, professor de Street Dance.

Roscioli conta que em 2016 a paixão pela dança tomou conta e ele sentiu ser a hora de começar a repassar seus conhecimentos, técnicas e movimentos. No início as aulas de Street eram em apenas duas cidades, mas atualmente já são seis, Erechim, Ibiaçá, Machadinho, Tapejara, Estação e Ibiraiaras.

As aulas de dança são semanais e promovidas pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de cada cidade, para dar chance às crianças mais pobres de cada município a participarem do Street Dance. As aulas são totalmente grátis, e as turmas estão completas, com crianças muito participativas, diz Roscioli.

Roscioli ainda conta que poder ensinar e participar da vida de cada criança é incrível. “É muito gratificante pra mim, ver crianças se interessando por esses projetos das prefeituras, é muito gratificante quando eu chego na sala de aula ver muitas crianças, independente da idade, raça, cor, indo fazer minhas aulas, e aprendendo comigo”, conclui o professor. 

O Street Dance (Dança de Rua) teve origem no final da década de 20, nos Estados Unidos, período da Grande Depressão. Este período é considerado o pior e mais longo período de recessão econômica do século XX. Esse novo estilo teve início justamente nas periferias e centros mais pobres dos Estados Unidos. Contudo, a cultura antes da rua e das camadas mais pobres se popularizou e atualmente está presente em todas as classes e países do mundo.

Em 1967, o cantor James Brown lançou essa dança através do Funk Music, estilo musical que tem entre seus expoentes Michael Jackson, Kool & The Gang, The Meters, Funk N’ Lata, Olodum, Earth, Aretha Franklin, Marvin Gaye, Funkadelic, entre outros. Posteriormente, em 1981, o Breaking, vertente do Street Dance explode nos Estados Unidos e se expande mundialmente. O Breakdance é composto por diversos estilos musicais, indo do funk ao pop-rock.  No Brasil, os dançarinos incorporaram novos elementos à dança, como o Soul Music.

A dança de rua tem como características fundamentais o trabalho de coordenação motora e o ritmo, onde se dá mais atenção aos movimentos fortes e enérgicos executados pelos braços, pernas, movimentos acrobáticos coreografados, saltos e saltos mortais. Uma dança com maioria de dançarinos homens, porém hoje se encontra um maior espaço para as mulheres. Músicas que tenham batidas fortes e marcantes, algumas músicas eletrônicas e em geral músicas cantadas em cima dos breakbeats.

O Street Dance difere-se do Hip Hop Dance que neste caso utiliza-se das danças sociais conhecidas como harlem shake, happy feet e monastery. Em outras palavras, o Hip Hop é um estilo de dança mais dinâmico, já que veio de outras danças sociais.
Uma das grandes características vinculadas ao Hip Hop é a improvisação, que é algo momentâneo e acontece com a mistura de linguagens entre encenação teatral, mímica e dança.

Aline Lara, entusiasta do estilo de dança Street Dance.

E não para por aí, as garotas também podem ter visibilidade no Street Dance, como por exemplo, a Aline Lara, de 25 anos. Bancaria, formada em Educação Física, professora em uma academia, e atualmente fazendo pós graduação na área, ela afirma com orgulho que sua ligação com o Street Dance é muito intensa, porque é uma dança ainda em construção e que não tem uma fórmula fechada. “No Street Dance eu posso ser eu mesma”, conta.

Lara compartilha que o seu primeiro contato com a Dança de Rua foi quando ela tinha apenas 9 anos de idade, então começou as aulas em uma escola com diferentes gêneros de dança. Há três anos participa do grupo No Name Dance Crew, assim como Roscioli. “A dança me deu autoestima. Eu aprendi a confiar mais em mim mesma, saber que sou capaz de ser boa e melhorar em todos os sentidos. Mas a autoestima é a melhor parte, aprendi a acreditar em mim”, orgulhosa, conclui.