Diferenças entre os grupos de vegatarianos

Para muitos considerada apenas uma dieta da moda, para outros um estilo de vida baseado na ética e na proteção animal. Com sua raiz no vegetarianismo, o veganismo vem ganhando força nos últimos anos. No entanto, ser vegano vai muito além de não consumir alimentos de origem animal, mas sim deixar de lado tudo o que for produzido pela exploração animal.

A The Vegan Association, da Inglaterra, é a entidade vegana mais antiga. Segundo ela  “O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as

formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade. Dos veganos junk food aos veganos crudívoros há uma versão do veganismo para todos os gostos. No entanto, uma coisa que todos nós temos em comum é uma dieta baseada em vegetais, livre de todos os alimentos de origem animal, como: carne, laticínios, ovos e mel, bem como produtos como o couro e qualquer produto testado em animais.”

Os veganos são, na verdade, uma subdivisão dentro do grupo dos vegetarianos. A Nutricionista Jessica Weiler nos explica que também existem os ovolactovegetarianos, que não consomem nenhum tipo de carne mas consomem laticínios e ovos. Este tipo de vegetarianismo é o mais comum. Os lactovegetarianos além de não consumir nenhum tipo de carne excluem também os ovos da dieta. Os vegetarianos estritos não consomem nenhum tipo de carne, laticínios ou ovos em sua alimentação. E, por fim, os veganos, que são movidos pela éticas e não consomem nada de origem animal em nenhuma área de suas vidas.

A ética animal

“Os animais do mundo existem por suas próprias razões. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens.”

Alice Walker

A ética é o principal pilar que sustenta o veganismo. Os animais que consumimos, como vacas, porcos, galinhas e peixes, são seres sencientes, ou seja, capazes de sofrer e experimentar contentamento e que, portanto, merecem respeito e consideração moral. Além disso, esses animais são capazes de tomar conta de si mesmos, de escolherem o que querem para si. Nessa perspectiva, tais animais possuem valores e não devem ser considerados como mero objetos para satisfazer os interesses humanos.

A publicidade também passa uma imagem distorcida da realidade, geralmente passando a imagem de “fazendas felizes”, e não é isso que realmente ocorre na maioria dos casos. Atualmente as granjas, onde 90% dos animais “de produção” são criados, mais parecem fábricas industriais, os animais são alimentados com rações com hormônios e grandes doses de antibiótico para não adoecerem e serem abatidos mais cedo, gerando mais lucro para o produtor e afetando, também, a saúde do consumidor.

O consumo exagerado de carne é preocupante, tanto para a saúde quanto para o meio ambiente. Os números são altíssimos e aumentam a cada ano.

O veganismo e o mercado

para a a nutricionista Jessica Weiler, ser saudável e ter acompanhamento profissional é o principal fator para quem quer se tornar vegetariano.

O veganismo tem atraído a cada ano mais adeptos a sua filosofia, no Brasil, 14% da população se declara vegetariana, segundo pesquisa do IBOPE Inteligência conduzida em abril de 2018. Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro este percentual sobe para 16%. A estatística representa um crescimento de 75% em relação a 2012, quando a mesma pesquisa indicou que a proporção da população brasileira nas regiões metropolitanas que se declarava vegetariana era de 8% . Hoje, isto representa quase 30 milhões de brasileiros que se declaram adeptos a esta opção alimentar – um número maior do que as populações de toda a Austrália e Nova Zelândia juntas.

Não há pesquisa no Brasil sobre o número de veganos. Porém, de acordo com uma análise feita pela Sociedade Vegetariana Brasileira considerando a porcentagem de veganos, dentre vegetarianos, em países em que pesquisas recentes foram conduzidas, foi possível chegar a um número aproximado de brasileiros veganos.

Nos EUA, cerca de 50% dos vegetarianos, 16 milhões de pessoas, se declararam veganos em pesquisa recente do Instituto Harris Interactive; No Reino Unido, de acordo com o Ipsos MORI Institute, cerca de 33% dos vegetarianos, 1,68 milhões de pessoas, se declararam veganos. Ao adotar a porcentagem mais conservadora, de 33%, temos o número de 30 milhões de brasileiros vegetarianos, cerca de 7 milhões seriam veganos.

A tendência é de que esse crescimento no número de vegetarianos/veganos continue pelos próximos anos. Esse aumento de adeptos pode ser causado pelo apelo de sites como “Seja Vegano” e “Escolha Veg e de documentários com “Cowspiracy”, “what a health” e “A Carne é Fraca” que abordam os pontos positivos e negativos, além de mostrar os maus tratos com os animais. A preocupação com a saúde e o bem estar também é um dos caminhos que leva as pessoas aderirem ao vegetarianismo, no entanto buscar o acompanhamento de um profissional da área é fundamental.

Por Daiane Giesen